I ARTIGO: CRIAÇÃO 2 (PARTE 4 DE 4)

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Os seres espirituais, com inteligência e vontade, foram feitos à imagem de Deus, como dito anteriormente. Contudo, a Escritura atesta que foram criados também segundo Sua semelhança. Explicado já o sentido de ser feito «à imagem de Deus», há de se explicar o sentido de ser feito «segundo a semelhança de Deus».

Neste sentido, diz a Escritura:

Seremos semelhantes a Deus, porquanto O veremos como Ele é (I Jo 3,2).

Esta é a vocação a que são chamadas as criaturas espirituais: ver Deus como Ele é! Este é o dom sobrenatural (pois que ver Deus é um privilégio infinitamente imerecido por qualquer criatura) que Deus concedeu às suas criaturas mais perfeitas. Apesar dessa dádiva, Deus não confirmou Suas criaturas na graça. Continuar lendo

I ARTIGO: CRIAÇÃO 1 (PARTE 4 DE 4)

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No último texto nos detivemos em analisar a ação interna de Deus (ad intra); passaremos a analisar as ações divinas externas ou ad extra, para fora, como a criação, providência, Redenção… Neste texto, trataremos da criação.

Criar é fazer existir do nada, ou seja, sem nada preexistente. Por ser uma ação ad extra, a criação é um ato que tem por objeto as criaturas e, ipso facto, é obra das três Pessoas divinas conjuntamente porque tudo o que não diz respeito à íntima relação entre as Pessoas é comum às três simultaneamente. Continuar lendo

I ARTIGO: TRINDADE (PARTE 3 DE 4)

Santíssima Trindade

A existência de Deus, Princípio e Fim de todas as coisas, é uma verdade demonstrável e possível de conhecer com certeza pela luz natural da razão humana, por meio das coisas criadas; a vida íntima de Deus, por outro lado, nunca poderia ser conhecida pela razão criada, mas apenas se manifestado por Ele mesmo.

A realidade dessa vida íntima, absurdamente inebriante e escondida em Deus, apenas poderia ser conhecida pela Revelação:

Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi Quem O revelou (Jo 1,18).

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I ARTIGO: DEUS (PARTE 2 DE 4)

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O Credo católico tem como premissa a existência de Deus; passamos então à indagação: o que (ou quem?) é Deus?

Deus é a essência (ou natureza) espiritual infinitamente perfeita, que existe por Si mesma e de Quem todos os outros seres recebem a existência. A natureza de Deus é Ser (ou existir), ou seja, Ele existe por propriedade natural. A Igreja confessa essa verdade pelo seu Magistério infalível:

A Santa Igreja Católica Apostólica Romana crê e confessa que há um [só] Deus verdadeiro e vivo, Criador e Senhor do céu e da terra, onipotente, eterno, imenso, incompreensível, infinito em intelecto, vontade e toda a perfeição; o qual, sendo uma substância espiritual una e singular, inteiramente simples e incomunicável, é real e essencialmente distinto do mundo, sumamente feliz em Si e por Si mesmo, e está inefavelmente acima de tudo o que existe ou fora dele se possa conceber (Concílio Vaticano I, Constituição dogmática Dei Filius, Denz. 1782, destaques nossos).

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I ARTIGO: FÉ (PARTE 1 DE 4)

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Quando dizemos “Creio em Fulano”, queremos dizer que acreditamos no que ele diz, pois sua existência é óbvia. Nosso Credo se inicia com as palavras “Creio em Deus”, ou seja, no que Ele diz, pressupondo já que Ele existe. A existência de Deus é obrigatória, pois que é demonstrável pela razão (não é, pois, propriamente matéria de Fé). Começamos o Símbolo da Fé, portanto, professando “crer naquilo que Deus ensina”.

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