I ARTIGO: CRIAÇÃO 2 (PARTE 4 DE 4)

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A prova

Os seres espirituais, com inteligência e vontade, foram feitos à imagem de Deus. Contudo, a Escritura atesta que foram criados também segundo Sua semelhança. Explicado já o sentido de ser feito «à imagem de Deus», há de se explicar o sentido de ser feito «segundo a semelhança de Deus».

Neste sentido, diz a Escritura:

Seremos semelhantes a Deus, porquanto O veremos como Ele é (I Jo 3,2).

Esta é a vocação a que são chamadas as criaturas espirituais: ver Deus como Ele é! Este é o dom sobrenatural (pois que ver Deus é um privilégio infinitamente imerecido por qualquer criatura) que Deus concedeu às suas criaturas mais perfeitas. Apesar dessa dádiva, Deus não confirmou Suas criaturas na graça.

Sabemos que Deus “habita em luz inacessível” (I Tm 6,16). Entretanto, pela graça, as criaturas racionais são chamadas a serem “participantes da natureza divina” (II Pd 1,4), sendo capazes de se elevar à vida divina, tendo Bem-aventurada Trindade como hóspede de si mesmas e participante de Sua felicidade. Essa é a felicidade sobrenatural do céu: a visão de Sua glória, face a face (cf. I Cor 13,12).

Deus os chamou, os anjos e os homens, à vida divina, elevou-os à graça sobrenatural, adotou-os como Seus filhos, para viver junto dEle no paraíso celeste.

Entretanto, Deus não os destinou ao céu, por se tratar de criaturas espirituais, livres que eram, chamou-as a participar livremente de Sua vida íntima. Para isso, elas necessitavam de mérito, precisavam, desse modo, merecer a beatitude.

Bem como a prata se prova no fogo, e o ouro no crisol; assim o Senhor prova os corações (Pr 17,3).

A queda dos anjos

Poucos dados a Revelação dá sobre a prova dos anjos. O que se sabe é que se deu imediatamente depois que foram criados e que constituiria uma prova de Fé, ou seja, eminentemente intelectiva.

Os anjos, como os homens, foram criados na graça; uns perseveraram (e são chamados de Anjos), outros não (os demônios):

Jesus disse-lhes: Vi Satanás cair do céu como um raio (Lc 10,18).

Os Anjos são realmente Santos e confirmados em graça; portanto, não podem mais pecar e gozam da bem-aventurança eterna, amando a Deus pelos séculos dos séculos.

Os demônios, entretanto, estão na danação e desgraçados; devido à superioridade ontológica da natureza angélica, não podem se arrepender [1], condenados ao inferno, odeiam a Deus eternamente.

Mas o que pode ter sido o pecado dos demônios? Os pecados que podem ser cometidos pelas formas puras são os de inteligência, ou seja, soberba, ira e inveja.

O primeiro anjo que se rebelou era a criatura mais nobre e mais excelente que Deus criou. Tão alta era sua dignidade e de tal modo refletia a essência divina em sua natureza que se chamava Lúcifer (portador da luz):

Tua majestade desceu à morada dos mortos, acompanhada do som de tuas harpas. Jazes sobre um leito de vermes e os vermes são a tua coberta. Então! Caíste dos céus, astro brilhante, filho da aurora! (Is 14,11s).

És um selo de perfeição, cheio de sabedoria, de uma beleza acabada. Estavas no Éden, jardim de Deus, estavas coberto de gemas diversas: sardônica, topázio e diamante, crisólito, ônix e jaspe, safira, carbúnculo e esmeralda; trabalhados em ouro. Tamborins e flautas, estavam a teu serviço, prontos desde o dia em que foste criado. Eras um querubim protetor colocado sobre a montanha santa de Deus; passeavas entre as pedras de fogo. Foste irrepreensível em teu proceder desde o dia em que foste criado, até que a iniquidade apareceu em ti. No desenvolvimento do teu comércio, encheram-se as tuas entranhas de violência e pecado; por isso eu te bani da montanha de Deus, e te fiz perecer, ó querubim protetor, em meio às pedras de fogo. Teu coração se inflou de orgulho devido à tua beleza, arruinaste a tua sabedoria, por causa do teu esplendor; precipitei-te em terra, e dei com isso um espetáculo aos reis. À força de iniquidade e de desonestidade no teu comércio, profanaste os teus santuários; assim, de ti fiz jorrar o fogo que te devorou e te reduzi a cinza sobre a terra aos olhos dos espectadores. Todos aqueles que te conheciam entre os povos ficaram estupefatos com o teu destino; acabaste sendo um objeto de espanto; foste banido para sempre!  (Ez 28,12-19).

Sua natureza refletia de tal maneira Deus que nele os outros anjos conheciam-nO. Sua inteligência e vontade eram inigualáveis. Por sua inspiração, os outros demônios pecaram:

Depois apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas. Varria com sua cauda uma terça parte das estrelas do céu, e as atirou à terra. Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos tiveram de combater o Dragão. O Dragão e seus anjos travaram combate, mas não prevaleceram. E já não houve lugar no céu para eles. Foi então precipitado o grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Foi precipitado na terra, e com ele os seus anjos (Ap 12,3.7ss).

Não houve uma guerra no céu à semelhança das guerras na terra. Isso é uma metáfora. A guerra foi de sugestão, como se houvesse um caloroso e acirrado debate. Lúcifer tentando convencer os congêneres a rebelarem-se contra Deus, e São Miguel, mostrando que esse é o único Quem deve ser amado:

Então! Foste abatido por terra, tu que prostravas as nações! Tu dizias: ‘Escalarei os céus e erigirei meu trono acima das estrelas. Assentar-me-ei no monte da assembleia, no extremo norte. Subirei sobre as nuvens mais altas e me tornarei igual ao Altíssimo’. E, entretanto, eis que foste precipitado à morada dos mortos, ao mais profundo abismo. Detêm-se para ver-te melhor, e procuram reconhecer-te: Porventura é aquele que fazia tremer a terra, e abalava os impérios, que fazia do mundo um deserto, e destruía as cidades, e impedia os prisioneiros de voltarem para suas casas? (Is 14,12-17).

A passagem do Profeta Isaías diz que o pecado do Diabo foi se tornar “igual ao Altíssimo”. Mas por essa expressão, não se deve entender “equiparar-se a Deus”, como afirma Santo Tomás, pois ele sabia que jamais seria Deus: desejar ser Deus (ou aquilo que é essencialmente diferente de si) é o mesmo que desejar sua própria aniquilação (cf. S.T, I, q. 63, a. 3).

A soberba de Satanás (do hebraico, “o que arma ciladas”) não foi querer se equiparar a Deus, mas ser semelhante a Ele naquilo que não estava na Sua vontade, ou seja, desordenadamente (a busca pela semelhança a Deus ordeiramente é a vida da graça em nós, como foi dito):

Mas, desejar ser como Deus, por semelhança, de dois modos pode se dar: De um modo, quanto ao pelo que é natural a um ser o assemelhar-se a Deus. E assim, quem neste sentido deseja ser semelhante a Deus não peca, pois, deseja alcançar a semelhança com Deus, na ordem devida, a saber, enquanto tem essa semelhança recebida de Deus. Se, porém, desejasse ser semelhante a Deus por justiça, como por virtude própria e não pela virtude de Deus, pecaria (Ibidem, resp., destaques nossos).

Lúcifer desejou Deus apenas apoiado nas suas capacidades naturais, rejeitando a elevação que Ele lhe quis dar, ou seja, foi uma revolta contra a ordem, pois que desobedeceu Àquele, único princípio de obediência, que, por justiça, merece nossa servidão:

Desejou indevidamente ser semelhante a Deus, porque desejou como fim último da felicidade aquilo ao que podia chegar pela virtude da sua naturezadesviando o seu desejo da beatitude sobrenatural, que é graça de Deus. Ou, se desejou como fim último a semelhança com Deus, que é dom da graça, quis tê-la pela virtude da sua natureza, e não pelo auxílio divino, segundo a disposição de Deus. E isto é consoante às palavras de Anselmo, dizendo ter o demônio desejado aquilo que obteria se perseverasse. E estas duas explicações se reduzem a uma sóde uma e outra maneira o diabo desejou ter a beatitude final, pela sua virtude, o que é próprio de Deus (Ibid., destaques nossos)

Os demônios também pecaram imediatamente, sugestionados pelo pecado de Satanás, fazendo-o seus próprios os desígnios dele. Em razão da superioridade natural de Lúcifer, exercendo influência sobre o pecado dos outros anjos, como castigo, ficaram sobre seu domínio: “Todos aquele que é vencido, é escravo daquele que o venceu” (II Pd 2,19).

A que pese a soberba, os anjos maus aceitaram essa subordinação a Satanás, pois, com ela, almejavam conseguir a bem-aventurança com suas próprias forças, e, sobretudo, porque, na ordem natural, que foi a razão do seu pecado, estavam já submetidos ao Anjo Supremo (cf. S.T., q. 63, a. 8, sol. 1 e 2).

Hoje, os demônios, diz a Liturgia, vagueiam o mundo para perder as almas, procurando a quem devorar (cf. I Pd 5,8); são os inimigos invisíveis da Igreja:

O Dragão, então, se irritou contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os Mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus (Ap 12,16s).

O pecado original

No artigo anterior, que tratava da criação em geral, vimos que a Igreja ensina que ao homem foi concedido dons preternaturais e dons sobrenaturais. Ambos os dons tinham o intuito de auxiliar Adão e Eva a cumprirem seu fim último, a visão de Deus.

De modo parecido aos anjos, Adão foi provado por Deus:

Deus deu-lhe este preceito: Podes comer do fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que dele comeres, morrerás indubitavelmente (Gn 2,16s).

Após essa passagem Deus cria a mulher, Eva, e a dá a Adão por esposa. Eva sabia do preceito dado por Deus, mas não passado por Ele diretamente, mas pelo seu esposo. O Diabo, querendo malograr a obra divina, tenta a mulher que, cedendo, tenta seu marido, que cai:

A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse a mulher: ‘É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?’. A mulher respondeu-lhe: ‘Podemos comer do fruto das árvores do jardim. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Não comereis dele, nem o tocareis, para que não morrais’. ‘Oh, não! – tornou a serpente – vós não morrereis! Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal’. A mulher, vendo que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável aspecto e mui apropriado para abrir a inteligência, tomou dele, comeu, e o apresentou também ao seu marido, que comeu igualmente. Então os seus olhos abriram-se; e, vendo que estavam nus, tomaram folhas de figueira, ligaram-nas e fizeram cinturas para si (Gn 3,1-7).

Pecado é a desobediência voluntária (vontade) de uma ordem divina conhecida (inteligência); é, portanto, um ato racional (ou humano) perfeito.

Para Adão (e Eva) esse pecado foi atual (pois que eles obraram ato mau); para a humanidade, ou seja, os descendentes de Adão, ele é original porque, embora em nós não seja um ato, sofremos sua consequência [2]:

Eis que nasci na culpa, minha mãe concebeu-me no pecado (Sl 50,7).

Com efeito, todos pecaram (Rm 3,23).

Assim como pela desobediência de um só homem foram todos constituídos pecadores, assim pela obediência de um só todos se tornarão justos (Rm 5,19).

O pecado foi de inteligência: “era mui apropriado para abrir a inteligência”. Não poderia ser de outro modo, pois que eram imunes às paixões. Precisamente, foi um pecado de orgulho, pois pretendiam tornar-se deuses: “no dia em que dele comerdes (…) sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal”.

Foi um pecado de blasfêmia, porque acreditaram que Deus lhes havia mentido, ao dizer que o fruto lhes traria a morte: “Oh, não! vós não morrereis!”.

Foi um pecado de intemperança, porque quiseram comer o fruto, que parecia apetecível: “vendo que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável aspecto”.

Foi um pecado de magia, pois sabiam que, comendo o fruto, ele, por si mesmo, não poderia produzir um efeito que superasse a sua potência natural. E, finalmente, foi um pecado de satanismo, porque quiseram o resultado mágico pelo auxílio e conselho de Satanás e, por isso, o ouviram.

Com isso, nossos primeiros pais perderam todas as graças que não lhes eram naturais:

  • na ordem sobrenatural: a graça e, por conseguinte, o céu:

Com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus (Rm 3,23);

  • na ordem preternatural: todos os dons, ficando submetidos à ignorância, à desordem da natureza (chamada concupiscência), aos sofrimentos e à morte:

Disse Deus à mulher: ‘Multiplicarei os sofrimentos de teu parto; darás à luz com dores, teus desejos te impelirão para o teu marido e tu estarás sob o seu domínio’. E disse em seguida ao homem: ‘Porque ouviste a voz de tua mulher e comeste do fruto da árvore que Eu te havia proibido comer (…) tirarás da terra com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de tua vida. Ela te produzirá espinhos e abrolhos, e tu comerás a erva da terra. Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e pó te hás de tornar’ (Gn 3,16-19).

  • e mereceram o inferno para si e para seus descendentes, ficando sujeitos ao Demônio, sendo seus escravos:

Ficai, portanto, firmes e não vos submetais outra vez ao jugo da escravidão (Gl 5,1);

Porquanto os filhos participam da mesma natureza, da mesma carne e do sangue, também Ele participou, a fim de destruir pela morte aquele que tinha o império da morte, isto é, o demônio, e libertar aqueles que, pelo medo da morte, estavam toda a vida sujeitos a uma verdadeira escravidão (Hb 2,14s);

Todos aquele que é vencido, é escravo daquele que o venceu (II Pd 2,19).

Como é o homem o rei da criação material, toda a criação, de certa forma, cai com ele. Toda a criação se revoltou e tornou-se também sujeita ao Demônio:

Porque ouviste a voz de tua mulher e comeste do fruto da árvore que Eu te havia proibido comer, maldita seja a terra por tua causa (Gn 3,17).

Pois sabemos que toda a criação geme e sofre como que dores de parto até o presente dia (Rm 8,22).

A divina Providência

Divina Providência são as disposições pelas quais Deus conduz, cuida e governa todas as criaturas dirigindo-as em ordem a seu fim:

Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, Eu não te esqueceria nunca. É mais fácil que uma mãe esqueça seu filho que Deus Se esquecer de nós (Is 49,15).

Tudo o que Deus criou, conserva-o e governa-o com Sua providência, atingindo fortemente desde uma extremidade a outra, e dispondo de todas as coisas com suavidade [cf. Sab 8,1]. Pois tudo está nu e descoberto aos seus olhos [Hb 4,13], mesmo os atos dependentes da ação livre das criaturas (Concílio Vaticano I, 1870, Constituição dogmática Dei Filius, cf. Denz. 1782).

Seja natural (todos seres materiais, inclusive o homem), que abarca desde o sustento da criatura no ser (existência), até o suprimento de suas necessidades:

E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam. Entretanto, Eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles. Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé? (Mt 6,28ss).

Seja sobrenatural (os seres espirituais):

Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar (Gn 3,15).

Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuida (Mt 6,32ss).

Além de todos os auxílios, Deus concedeu a cada homem (certamente aos batizados, segundo Sto. Tomás) os auxílios dos Anjos da Guarda: “Porque aos seus Anjos Ele mandou que te guardem em todos os teus caminhos” (Sl 90,11).

Na passagem de Gn 3,15, Deus promete uma certa descendência que vencerá, na mulher, o demônio. Aqui Ele promete a salvação que, como sabemos, foi operada pelo Verbo encarnado, Nosso Senhor Jesus Cristo. É precisamente sobre os fatos da Redenção – e seu desenrolar – que o Credo se deterá nos próximos artigos

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Notas

[1] Alguma explicação sobre a natureza angelical pode ser lida aqui no item 3.

[2] O pecado original pode ser melhor compreendido como o seguinte exemplo:
Imaginemos um pai de família riquíssimo; tanto que sua riqueza deixaria confortável todas as gerações que lhe seguissem. Certo dia ele investe erradamente sua fortuna, por ouvir um rival, conhecido pela velhacaria, e perde-a toda. Seus filhos, doravante, não serão mais herdeiros de uma enorme herança, sofrendo, pois, as consequências da única má escolha de seu genitor.
O pecado original é um ato de um só homem, Adão, e é transmitido a todos os homens pela geração (cf. Papa Pio XII, Encíclica Humani generis, 1950, n. 37; e Denz. 788-791):

Por isso, como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero humano, porque todos pecaram (Rm 5,12).

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