SACRAMENTO DO BATISMO: RITUAL 1 DE 2

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Após expor a doutrina do Sacramento do Batismo, trataremos a seguir de uma explicação dos rituais que a Liturgia manda que sejam realizados na sua administração. Tal exposição será feita ao se tratar de cada Sacramento. Ela não pretende ser, contudo, exaustiva. Tampouco é nossa intenção fazer, aqui, algum tipo de livreto com fim de acompanhar ou organizar algum Batismo.

Trataremos dos dois ritos distintos do Batismo: o de criança (Baptismus parvulorum) e o de adulto (Baptismus adultorum).

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O ordo Baptismi parvulorum (ordinário do Batismo das crianças) consta de 3 partes. A primeira é fora da igreja, a segunda é na igreja e a terceira no batistério. As duas primeiras, de caráter mais penitencial, são feitas com o celebrante de estola roxa; a última, de estola branca.

Fora da igreja

É extremamente rico o significado do início da celebração do Batismo: se faz fora da igreja para representar que o catecúmeno, outrora ainda não contado entre os membros de Cristo, pelo Batismo, passará a enumerar entre Suas ovelhas, naquele único aprisco que o mesmo Cristo Senhor erigiu para nossa salvação, a Santa Igreja. As cerimônias que compreendem essa parte são:

  • interrogatório: o celebrante pergunta à criança o que pede à Igreja e para que lhe servirá o pedido (as repostas são dadas pelos padrinhos). Ao fim, admoesta a todos;
  • insuflação: sopra-se três vezes sobre a criança em forma de Cruz, pedindo que o demônio dê lugar ao Divino Espírito Santo (relembrando o gesto de Deus ao criar o homem, uma vez que o Batismo é a início da vida espiritual);
  • sinal da Cruz: feito com o polegar na fronte e no peito da criança; simboliza o sinal pelo qual a criança terá que moderar seus costumes, pois é o signo do católico;
  • imposição das mãos: gesto de autoridade para simbolizar a aquisição da alma para Deus que toma posse do seu ser;
  • imposição do sal: o sal, que dá sabor e conserva, é posto na língua e simboliza aqui a sabedoria e é presságio dos alimentos divinos e preservação da corrupção dos vícios;
  • exorcismo [1]: oração imperativa ao diabo para que não assedie a criança; essa oração culmina com nova imposição do sinal da Cruz para que ele não ouse profanar o fruto da Redenção que será operada naquela alma pelo Batismo;
  • imposição de mãos: aqui impetra-se sobre a criança as graças necessárias para bem viver a nova vida cristã.

Na igreja

Já tendo preparada a alma pelas primeiras orações, a criança pode já entrar na igreja. As cerimônias que compreendem essa parte são:

  • convite: o celebrante convida a criança a entrar na igreja, simbolizando que ela já tem parte com Cristo (entram até a porta do batistério);
  • recitação: consta do Credo, regra de Fé, e do Pai Nosso, regra de oração;
  • exorcismo solene: o celebrante ordena a fuga do diabo pelo poder de Cristo para que ele dê agora lugar para Deus;
  • ephpheta: o celebrante umedece os dedos com a própria saliva e toca os ouvidos e narinas da criança, repetindo assim o gesto de Cristo ao curar o surdo. O ephpheta, que significa “abre-te”, é um pedido a Deus para que a criança ouça com fruto a pregação da Igreja e já sinta o perfume suave do Cristo que lhe vem à alma pela graça. Finaliza essa parte ordenando, novamente, a fuga do demônio;
  • renúncia: o celebrante pergunta se a criança renuncia a Satanás, suas obras e pompas;
  • unção: unge-se com o óleo dos catecúmenos a criança no peito e ombros. O óleo era antigamente usado como proteção para os lutadores; agora a criança, preste a se tornar filho de Deus e membro da Igreja, participará da maior guerra de todo o universo: haverá de lutar contra suas paixões, contra o mundo e contra o demônio para assim, no fim da vida, poder receber a glória celeste.

No batistério

Tendo renunciado a Satanás e já ungida a criança pelo óleo dos catecúmenos, o celebrante muda a cor da da estola para a cor branca e prossegue para o batistério. As cerimônias que compreendem essa parte são:

  • profissão: o celebrante pergunta se o criança crê com Fé divina nas principais Verdades reveladas;
  • Batismo: o celebrante realiza o Batismo propriamente dito como está descrito anteriormente. Nesse momento os padrinhos devem tocar a criança;
  • unção com o crisma: o Batismo torna a criança uma cristã (seguidor de Cristo) e transmite-lhe a realeza de filho de Deus, o sacerdócio de outro Cristo e o profetismo de apóstolo dEle. Como outrora os reis, os sacerdotes e os profetas era ungidos, assim também o batizado é ungido para a vida eterna em nome de Jesus Nosso Senhor;
  • veste: o celebrante impõe a veste branca, símbolo da pureza, e adverte que traga consigo essa pureza diante do tribunal;
  • vela: o padrinho entrega à criança uma vela acesa, símbolo da Fé e da graça do Batismo, rogando que a fumegante acesa para a vida eterna. Aqui fica claro o papel e a responsabilidade que os padrinhos têm em relação à criança batizada;
  • despedida: o celebrante despede a todos os presentes.

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Nota

[1] Como já mostrado, de acordo com São Pedro “todos aquele que é vencido, é escravo daquele que o venceu” (II Pd 2,19), o homem, chefe da criação material e pecando por sugestão do demônio, por esse ato tornou toda criação sob seu domínio. É por isso que a Igreja exorciza todos os objetos para uso sagrado (como a água e o sal); o mesmo se faz com o catecúmeno antes de batizá-lo propriamente.

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