SACRAMENTO DO BATISMO

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O Batismo, também chamado de Fé, é a porta dos Sacramentos e, portanto, é a entrada ordinária da alma na graça. O Batismo é o Sacramento pelo qual renascemos para a graça de Deus, perdida pelo pecado de Adão, e nos tornamos cristãos. A palavra, de origem grega, significa abluir, mergulhar. É, na verdade, isso que ocorre na alma que o recebe: ela, mergulhada em Cristo, Cabeça da Igreja,  é abluída e purificada sendo, portanto, incorporada à Igreja. Atesta as Escrituras:

Todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na Sua Morte (Rm 6, 3).

Fomos sepultados com Ele [Cristo] no Batismo (Cl 2,12).

Somos inseridos em Cristo e no Seu Corpo, pois, uma vez mortos para o pecado e vivos para Ele, unimos-nos intimamente à Igreja, Sua Esposa. Essa união, dizem os teólogos, é semelhante a uma adoção filial, motivo por que pelo Batismo nos tornamos filhos adotivos de Deus:

Ele [o Pai] nos predestinou para sermos adotados como filhos Seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de Sua livre vontade (Ef 1,5).

Reconhece, ó cristão, a tua dignidade. Uma vez constituído participante da natureza divina, não penses em voltar às antigas misérias da tua vida passada. Lembra-te de que Cabeça e de que Corpo és membro. Não te esqueças de que foste libertado do poder das trevas e transferido para a luz e para o Reino de Deus (São Leão Magno, Sermo 21, 3).

Deste modo, como já dissemos, é pelo Batismo que voltamos àquele plano original de Deus, Nosso Senhor, que nos fez para sermos semelhantes a Ele. Com isso, é ululante que o Batismo é estritamente necessário para a salvação, como Nosso Senhor atesta:

Quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus (Jo 3,5)

Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado (Mc 16,16).

Esse renascimento espiritual que é próprio do Batismo, os teólogos chamam de caráter. Isto é, este Sacramento imprimi uma marca na alma do batizado que não se pode apagar (signo de filhos adotivos de Deus). Por essa razão, só se recebe o Batismo uma vez.

*

  • Os efeitos do Batismo:

Apaga o pecado original, passado por Adão, tornando-nos, filhos adotivos de Deus e membros da Igreja; abre as portas do céu — infusão da graça santificante primeira — e impressão do caráter indelével. Com a graça habitual, vem todas as graças e virtudes conexas: a graça sacramental, as virtudes sobrenaturais e os dons do Espírito Santo;

Do ponto de vista canônico, o sujeito fica constituído fiel cristão (católico) com seus direitos e deveres eclesiásticos ─ como os direitos de participar dos atos de culto ou a obrigação de obedecer às leis eclesiásticas.

Se o sujeito for adulto, concede também a remissão dos pecados atuais (mortais e veniais) com todas as penas temporais (desde que haja ao menos atrição sobrenatural).

O caráter sacramental torna o fiel filho adotivo de Deus e membro da Sua Igreja.

  • Matéria:

Remota: água líquida verdadeira.

Próxima: ablução com água da cabeça ou fronte do batizando.

  • Forma: [1]

N. (nome do batizando), EU TE BATIZO EM NOME DO PAI E DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO [2].

  • Ministro:

O Bispo, o presbítero ou o diácono. Entretanto, a obrigação de batizar é do pároco.

Contudo, estando um fiel em perigo de morte, qualquer pessoa, mesmo pagã, pode batizar válida e licitamente.

  • Sujeito:

Todo ser humano ainda não batizado. As crianças devem ser batizadas o quanto antes (antes do primeiro mês de vida), sob pena de pecado grave [3].

Para a validade do Batismo em um adulto, requer-se a intenção da vontade de receber o Sacramento, como já falado. Para a licitude do Batismo se requer a instrução, se não do sujeito (por ser ainda criança), dos pais ou responsáveis.

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Notas

[1] A fim de comparação e enriquecimento, expomos aqui a forma do Batismo no rito Bizantino:

O servo de Deus, N., é batizado em Nome do Pai. Amém. E do Filho. Amém. E do Espírito Santo. Amém.

[2] Os protestantes falam de “Batismo em nome de Jesus”. Ora, esta terminologia usada na era apostólica tinha como intenção apenas diferenciar do “batismo de João [Batista]”. Jamais ela pode ser vista como uma autorização para se batizar apenas em “nome de Jesus”, de acordo com o que Ele próprio ensinou:

Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19).

[3] A Tradição da Igreja e o Direito falam da figura do padrinho, por casa da grande dignidade que é ser membro da Igreja e ser redimido por Cristo, como atesta São Leão Magno acima. Ele é um auxiliador na vida espiritual do batizado e, portanto, não deve ser escolhido pelo status ou dinheiro que possua, mas tão somente pelo exemplo de vida e de Fé católica. Outrora era o padrinho quem apresentava o catecúmeno ao Bispo e atestava sua adesão à Verdade. Os requisitos para o apadrinhamento são:

  1. seja designado pelo batizando, por seus pais ou por quem lhes faz as vezes;
  2. tenha completado dezesseis anos de idade;
  3. seja católico, confirmado (crismado), já tenha recebido o Santíssimo Sacramento da Eucaristia e leve uma vida de acordo com a Fé e o encargo que vai assumir;
  4. não tenha sido atingido por nenhuma pena canônica legitimamente irrogada ou declarada;
  5. não seja pai ou mãe do batizando.
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