XI ARTIGO: RESSURREIÇÃO DA CARNE

dies irae (6)

Deus onipotente, para o qual nada é impossível, ressuscitará dos mortos todos os homens. Isso é o que nos ensina este artigo “[creio] na ressurreição da carne”:

Com efeito, se por um homem veio a morte, por um homem vem a ressurreição dos mortos (I Cor 15,21).

Essa verdade foi defendida largamente pela Tradição da Igreja e pelo Magistério:

Todos ressuscitaram com seus próprios corpos que agora têm, para serem retribuídos conforme as suas obras, quer tenham sido boas ou más: estes (os réprobos) terão, com o diabo, a pena eterna; estes (os eleitos), com Cristo, a glória sempiterna (Concílio de Latrão IV, séc. XII, De fide catholica, cf. Denz. 429).

A ressurreição será segundo as obras de cada um:

Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que se acham nos sepulcros sairão deles ao som de Sua voz [do Filho do Homem]: os que praticaram o bem irão para a ressurreição da vida, e aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados (Jo 5,28s).

Será uma vida diferente da terrena: “Na ressurreição, os homens não terão mulheres nem as mulheres, maridos; mas serão como os anjos de Deus no céu” (Mt 22,30).

Ressuscitará o mesmo corpo:

Por detrás de minha pele, que envolverá isso, na minha própria carne, verei Deus (Jó 19,26).

É necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade (I Cor 15,53s).

Mas na perfeição corpórea:

Até atingirmos o estado de homem perfeito, na medida da plenitude da idade de Cristo (Ef 4,13).

Isso se dará para que o corpo participe da sorte da alma, como já explicado, para plenitude da natureza humana (uma vez que o homem é a união substancial entre corpo e alma racional), porque ele foi participante nas virtudes e nos vícios. Essa ressurreição se dará no fim dos tempos, antes do juízo final universal. Esses corpos modificados pela ressurreição terão quatro qualidades, os maus, assim como os bons.

Aos bons, a glória por quatro qualidades, a saber, claridade, impassibilidade, agilidade e sutileza:

  • claridade é a resplandecência, qual o sol e as estrelas, e a formosura da alma pela infusão da luz da glória (dado em graus diversos, segundo os méritos de cada um):

Então, no Reino de seu Pai, os justos resplandecerão como o sol. Aquele que tem ouvidos, ouça (Mt 13,43);

  • impassibilidade é a ausência de qualquer sofrimento, dor ou incômodo (como o dom preternatural):

Semeado no desprezo, ressuscita glorioso (I Cor 15,43);

Os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados (I Cor 15,52);

Enxugará [Deus] toda lágrima de seus olhos e não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição (Ap 21,4);

  • agilidade é poder deslocar-se num momento, sem fadiga, de qualquer lugar para outro:

No dia de sua visita, eles se reanimarão, e correrão como centelhas na palha (Sb 3,7);

  • sutileza é poder penetrar outros corpos com Cristo:

Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco! (Jo 20,26);

Semeado corpo animal, ressuscita corpo espiritual (I Cor 15,44).

Aos maus, a desgraça por quatro qualidades, a saber, obscuridade, passibilidade, peso, carnalidade:

  • obscuridade é a escuridão da maldade que impregna seus corpos, devido ao horrível estigma da reprovação eterna (em diversos graus, devido aos deméritos):

“Os seus rostos serão como fisionomias tisnadas” (Is 13,8);

  • passibilidade é a capacidade de sofrer, mas sem jamais serem corrompidos:

E quando se virarem, poderão ver os cadáveres daqueles que se revoltaram contra Mim, porque o verme deles não morrerá e seu fogo não se extinguirá, e para todos serão um espetáculo horripilante (Is 66,24);

  • peso é a característica de inércia total, como que acorrentados:

Para lançar em ferros os seus reis, e pôr algemas em seus príncipes (Sl 149,8);

  • carnalidade é o apego às coisas vis e desprezo às excelentes:

Os animais apodrecerão nos seus excrementos (Jl 1,17).

*

Assim, a qualidade da claridade (e da obscuridade, mutatis mutandis), é uma imposição da justiça divina infalível; um incentivo que a Fé sobrenatural dá ao homem para que pratique as virtudes e viva na graça, não se contentando apenas com o mínimo necessária para aplicação da Redenção, mas ser, de fato, um cooperador na salvação própria e dos fiéis católicos, segundo a Comunhão dos Santos, como diz o Apóstolo:

Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja (Cl 1,24).

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