VII ARTIGO: PARUSIA

dies irae

Este artigo afirma que Nosso Senhor, que subiu aos Céus, de lá “há de vir a julgar os vivos e mortos”. Cremos que o mesmo Jesus Cristo, que subiu aos Céus e está à direita de Deus, virá novamente, dessa vez em glória e manifestamente (diferente de sua primeira vinda, como escravo e escondido), a fim de julgar todos os homens. Essa segunda vinda de Cristo chama-se Parusia.:

Porque, como o relâmpago parte do oriente e ilumina até o ocidente, assim será a volta do Filho do Homem. Onde houver um cadáver, aí se ajuntarão os abutres (Mt 24,28).

Esse fato ocorrerá no fim dos tempos, depois de uma grande apostasia do mundo e mesmo da Igreja:

A cidade e o santuário serão destruídos pelo povo de um chefe que virá. Seu fim (chegará) com uma invasão, e até o fim haverá guerra e devastação decretada. Concluirá com muitos uma sólida aliança por uma semana e no meio da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; sobre a asa das abominações virá o devastador, até que a ruína decretada caia sobre o devastado (Dn 9,25-27).

Quando virdes estabelecida a abominação da desolação no lugar santo que foi predita pelo profeta Daniel. A tribulação será tão grande como nunca foi vista, desde o começo do mundo até o presente, nem jamais será. Se aqueles dias não fossem abreviados, criatura alguma escaparia; mas por causa dos escolhidos, aqueles dias serão abreviados (Mt 24,15.21s).

Esse tempo será cheio de falsos profetas e falsas religiões [1]; por isso o Verbo feito homem admoesta:

Então se alguém vos disser: Eis, aqui está o Cristo! Ou: Ei-lo acolá!, não creiais. Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão milagres a ponto de seduzir, se isto fosse possível, até mesmo os escolhidos. Eis que estais prevenidos. Se, pois, vos disserem: Vinde, Ele está no deserto, não saiais. Ou: Lá está Ele em casa, não o creiais (Mt 24,23-27).

Todo homem é julgado logo após a morte, como testa o Apóstolo:

Está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo (Hb 9,27).

Esse juízo é chamado particular. Na Parusia, Nosso Senhor fará o julgamento universal:

Logo após estes dias de tribulação, o sol escurecerá, a lua não terá claridade, cairão do céu as estrelas e as potências dos céus serão abaladas. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem. Todas as tribos da terra baterão no peito e verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu cercado de glória e de majestade. Ele enviará seus Anjos com estridentes trombetas, e juntarão seus escolhidos dos quatro ventos, duma extremidade do céu à outra (Mt 24,29-31).

Quanto ao dia e hora, Nosso Senhor adverte:

Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém o sabe, nem mesmo os anjos do céu, mas somente o Pai. Vigiai, pois, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor. Sabei que se o pai de família soubesse em que hora da noite viria o ladrão, vigiaria e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai também vós preparados porque o Filho do Homem virá numa hora em que menos pensardes. Quem é, pois, o servo fiel e prudente que o Senhor constituiu sobre os de sua família, para dar-lhes o alimento no momento oportuno? Bem-aventurado aquele servo a quem seu Senhor, na sua volta, encontrar procedendo assim! Em verdade vos digo: Ele o estabelecerá sobre todos os Seus bens. Mas, se é um mau servo que imagina consigo: Meu Senhor tarda a vir, e se põe a bater em seus companheiros e a comer e a beber com os ébrios, o Senhor desse servo virá no dia em que ele não o espera e na hora em que ele não sabe, e o despedirá e o mandará ao destino dos hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes (Mt 24,36.42-51).

Passemos agora ao ato mesmo do juízo. Julgar é uma função do rei. A Cristo, sendo o Rei dos Reis, cabe essa função de maneira excelsa:

Ele nos mandou pregar ao povo e testemunhar que é Ele Quem foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos (At 10,42).

Porque teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo. Ali cada um receberá o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver feito enquanto estava no corpo (I Cor 5,10).

Enquanto Deus, Nosso Senhor tem o direito a julgar; mas também enquanto homem essa função Lhe é conveniente:

  • para que fosse visto, pois o juiz tem que ser visto (Deus é invisível);
  • para satisfazer a justiça, por causa da injustiça praticada contra Si:

A Tua causa foi julgada como a de um ímpio; receberás o julgamento das causas (Jó 36,17);

  • Para causar menos temor (caso aparecesse o próprio Deus), pois ver-se-á um Homem (Cristo é Deus, certamente, mas que todos verão um homem julgar):

Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade (Lc 21,27).

Por fim, tendo já um juízo particular, cabe dar motivos do juízo universal. São cinco:

  1. Glória de Deus, porque todos verão a justiça com que governa o mundo.
  2. Glória de Cristo, por causa da injusta ignomínia por que passou na Cruz.
  3. Glória dos Santos, pois muitos deles foram desprezados e agora receberão a recompensa diante de todos.
  4. Confusão dos maus, pois muitos desprezaram os bons e se fizeram passar por eles.
  5. Para ratificar a sentença ao corpo, pois não foi apenas a alma que praticou o bem ou o mal (assunto do XI artigo, a ressurreição dos corpos, em breve).

Pelos motivos acima se vê que todas as obras que estão escondidas serão reveladas, tanto as más quanto as boas; sobre isto está escrito:

Anda nos caminhos de teu coração e segundo os olhares de teus olhos, mas fica sabendo que de tudo isso Deus te fará prestar conta (Ecle 11,9).

Deus citará no julgamento todas as tuas ações, até as ocultas, quer sejam boas, quer sejam más (Ecle 12,14).

Também a Liturgia se manifesta a esse respeito, pela Sequência das Missas de Defuntos (suprimida pela deforma de Paulo VI). Abaixo o texto do Dies iræ para meditação em tão belo hino da Santa Igreja:

Dia de ira, aquele dia, Dissolve o mundo em cinza fria: Atesta Davi, e a Sibila.
Quanto tremor há de haver, Quando o Juiz aparecer: Tudo, com rigor, examinar!
Nos sepulcros ressoando, A tuba, admirável, convocando Todos ante o trono.
Morte e mundo se espanta, Enquanto a criatura se levanta E ao Juiz responderá.
Um livro será trazido, Em que tudo está contido Onde o mundo está julgado.
Quando o Juiz Se sentar, Todo o escondido aparecerá Nada ficará impune.
Eu, pobre, que direi? A que patrono rogarei? Se nem o justo está seguro?
Rei tremendo em majestade, Que salvais por generosidade Fonte de piedade, salvai-me.
Recordai-Vos, bom Jesus, Que sou causa de vossa Cruz: Não me percais naquele dia.
A buscar-me Vos cansastes, Pela Cruz me resgatastes: Tanto labor não seja vão.
Justo Juiz do castigo, Usai da remissão comigo Antes do dia da retribuição.
Gemo, como réu; E, enrubescido o meu rosto culpado, suplico: Poupai-me, Deus.
Que a Maria absolvestes, E ao ladrão atendestes, Destes-me também esperança.
Meu clamor não é digno, Mas Vós sois bom e benigno, Não me queime o fogo eterno.
Entre os cordeiros dai-me abrigo, Sequestrai-me do inimigo, Colocai-me à vossa destra.
Os malditos condenados, À eterna chama lançados; Chamai-me com os benditos.
Oro suplicante e inclinado, De coração em cinzas contristado: Tomai conta do meu fim.
Lacrimoso aquele dia, Que ressurgirá da cinza fria, A ser julgado o homem réu,
Poupai-o, então, Deus do céu. Senhor Jesus piedoso, Dai-lhes o eterno repouso. Amém.

Também a oração da absolvição chamada Libera me, da mesma Missa e igualmente eliminada:

Livrai-me, Senhor, da morte eterna, naquele dia tremendo, quando o céu e a terra serão abalados. Então vireis julgar este século pelo fogo. Tremendo estou eu e temo enquanto vem o julgamento e a ira futura. Quando se abalarão o céu e a terra. Dia esse, dia de ira, de calamidade e miséria, dia magnífico e de extremo amargor. Vireis, pois, julgar o mundo pelo fogo. Descanso eterno dai-lhes, Senhor: e a luz perpétua os ilumine.

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Nota

[1] Não é esse tempo em que vivemos, como falsas religiões surgindo todos os dias e cada seita protestante se autoproclamando a Igreja de Cristo? E o que dizer do abandono da Fé?

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