SACRAMENTO DA ORDEM: RITUAL

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Os ritos do Sacramento da Ordem são vários, já que este Sacramento comporta diversos graus. Diversamente dos demais Sacramentos, a Ordem é conferida dentro da Missa, pois é a ela que está ordenada [1]. De modo geral, para qualquer das ordens, menores e maiores, faz-se o seguinte:

  • advertência geral: é feita logo no início da Missa (depois do Kyrie ou do Introito) e tem o intuito de lembrar aos candidatos as penas se algum deles lá estiver de modo irregular;
  • apresentação: cada candidato é chamado nominalmente e responde estar presente.

É nesse momento que se diferem as cerimônias para as diversas ordens [2].

Ordens menores

Nas ordens menores as cerimônias se dão do seguinte modo [3]:

  • vocação: em que são chamados a se apresentarem juntamente com a admoestação e explicação da ordem a ser conferida;
  • colação: é a entrega do objeto que é a essência da ordem recebida;
  • conclusão: é uma bênção especial dada pelo Bispo para o candidato que ascendeu à ordem específica;
  • penitência: é uma ordem que o Bispo impõe ao fim da Missa, antes do Último Evangelho (nestes casos é a recitação dos sete Salmos penitenciais com as Ladainhas, versículos e orações).

Ordens maiores

Já foi dito que por ordens maiores se deve compreender o subdiaconato, o Diaconato, o Presbiterato e o Episcopado. Trataremos pela ordem.

Subdiaconato

A ordem do subdiaconato é um misto das cerimônias das ordens menores com as das Ordens Sacras. Assim se compõe [4]:

  • vocação: em que são chamados a se apresentarem juntamente com a admoestação acerca do celibato e da escolha definitiva do estado de vida (depois chama, se houver, os candidatos às outras Ordens);
  • prostração: prostrados os candidatos às ordens maiores (neste momento os que serão subdiáconos, diáconos e presbíteros todos juntos; ao fim da Ladainha retornam os que serão diáconos e presbíteros) é entoado a Ladainha de Todos os Santos a qual no meio é interrompida para que o Bispo lhes deem a tríplice benção [5];
  • admoestação: o Bispo faz uma explicação das funções do subdiácono e lhes adverte ao zelo das coisas sagradas;
  • colação: é a entrega dos objetos que são da essência do subdiaconato;
  • conclusão: é uma bênção especial dada pelo Bispo para o candidato que ascendeu à ordem subdiaconal;
  • insígnias: o Bispo confere os sinais da dignidade subdiaconal que são o amito, o manípulotúnica e o epistolário.
  • penitência: é uma ordem que o Bispo impõe ao fim da Missa, antes do Último Evangelho (neste caso é a recitação do Noturno do dia indicado pelo Bispo).

Diaconato

A ordenação dos diácono ocorre após o canto da Epístola. Assim segue os ritos:

  • vocação: em que são chamados a se apresentarem juntamente com pedido aos presentes que os acuse caso tenha algo indigno da ordem diaconal;
  • admoestação: o Bispo faz uma explicação das funções do diácono e lhes adverte ao zelo das coisas sagradas e suplica a ajuda de Deus, da Igreja e dos fiéis [6];
  • colação: o Bispo entoa um longo Prefácio o qual é interrompido para a imposição de mãos, matéria da Ordem, seguindo após isso a forma do Sacramento da Ordem para o grau do Diaconato;
  • insígnias: o Bispo confere os sinais da dignidade diaconal que são a estola, a dalmática e o evangeliário;
  • conclusão: é uma bênção especial dada pelo Bispo para o candidato que ascendeu à ordem diaconal;
  • penitência: é uma ordem que o Bispo impõe ao fim da Missa, antes do Último Evangelho (neste caso é a recitação do Noturno do dia indicado pelo Bispo, como no subdiaconato).

Presbiterato

A ordenação dos presbíteros ocorre antes do Aleluia (ou ao fim do Tracto). Assim é a cerimônia:

  • vocação: em que são chamados a se apresentarem juntamente com pedido aos presentes que os acuse caso tenha algo indigno da ordem sacerdotal;
  • admoestação: o Bispo faz uma explicação das funções do presbítero e lhes adverte ao zelo das coisas sagradas e suplica a ajuda de Deus, da Igreja e dos fiéis [6];
  • colação: o Bispo impões aos mão e os sacerdotes presentes o fazem também e depois entoa um longo Prefácio no qual está a forma do Sacramento da Ordem para o grau do Presbiterato;
  • insígnias: o Bispo confere os sinais da dignidade presbiteral que são o cruzamento da estola, a casula (dobrada);
  • unção: o Bispo unge com o óleo dos catecúmenos as mãos do candidato enquanto é cantado o hino Veni Creator, amarrando-as ao fim;
  • tradição: entrega do cálice (com vinho e água) e da patena (com a hóstia), símbolo do poder de consagrar a Eucaristia e oferecer o Sacrifício da Missa.

Agora segue-se a Missa, com o canto do Evangelho por um dos novos diáconos. No ofertório, fazem a oferta das velas e concelebram com o Bispo a Missa. Após a purificação dos vasos sagrados, a cerimônia continua:

  • credo: os novos presbíteros fazem a profissão de Fé a qual ensinarão;
  • recebimento: recebem do Bispo o poder de perdoar os pecados e se lhes são desatadas as casulas;
  • promessa: os novos ordenados prometem obediência e respeito;
  • conclusão: é uma bênção especial dada pelo Bispo para o candidato que ascendeu à ordem diaconal;
  • penitência: é uma ordem que o Bispo impõe ao fim da Missa, antes do Último Evangelho (neste caso é a recitação, após sua primeira Missa, de mais três: uma do Espírito Santo, outra da Santíssima Virgem e a última pelos defuntos, rezando também pelo Bispo ordenante).

________________
Notas

[1] As ordens menores podem ser conferidas fora da Missa, embora seja mais conveniente o contrário. As demais, à diferença destas, só podem ser conferidas durante o Santo Sacrifício da Missa porque, havendo Nosso Senhor instituído o sacerdócio ao mesmo tempo que a Eucaristia, assim também sempre associou a Igreja a Ordenação dos ministros sagrados à oblação do Sacrifício (por isso é que a comunhão lhes é obrigatória).

[2] Na tonsura, há uma oração feita pelo Bispo, depois o corte do cabelo (parte essencial da cerimônia) feito em forma de cruz, a imposição da sobrepeliz e, por fim, a oração final. Depois segue a Missa (a Oração Coleta ou o Glória a depender em qual momento ele iniciou a cerimônia.

[3] Cada ordem menor é dada em um momento distinto da Missa. O ostiariato é dado depois do Kyrie ou do Gloria. O leitorado é dado depois da segunda Lição (se nas Têmporas) ou imediatamente depois dos ostiários. O exorcistado é dado após a terceira Lição (se nas Têmporas) ou imediatamente depois dos leitores. O acolitato é dado depois da quarta Lição (se nas Têmporas) ou imediatamente depois dos exorcistas.

[4] O subdiaconato é dado depois da quinta Lição (se nas Têmporas) ou após a Oração Coleta (a qual tem uma comemoração pelos ordenados). Um dos subdiáconos já canta a Epístola na Missa.

[5] De báculo na mão, o Bispo se levante e suplica a Deus, trançando o sinal da Cruz: “Para que Vos digneis [Deus] abençoar estes eleitos. Para que Vos digneis abençoar e santificar estes eleitos. Para que Vos digneis abençoar, santificar e consagrar estes eleitos”.

[6] Se não houver ordenação de subdiáconos, é aqui que ocorre a prostração e se entoa a Ladainha.

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