SACRAMENTOS DA IGREJA (PARTE 2 DE 2)

consagracao

Para além do signo sacramental, é necessário considerar outras duas características de cada Sacramento: o ministro e o sujeito. Depois de tratar das particularidades genéricas a esse respeito, encerraremos este texto com a condição necessária para que este recebe e aquele administre: a intenção.

Ministro

Ministro é pessoa capaz de administrar validamente o Sacramento. Esse poder é dado pelo próprio Cristo, a quem pertencem os Sacramentos. Sem o ministro idôneo, o fiel não recebe a graça sacramental de modo perfeito, seja validamente (quando não existe Sacramento, pois ninguém dá o que não tem), seja ilicitamente (há Sacramento, mas é feito em desacordo com as leis da Igreja, a quem cabe velá-lo e guardá-lo).

O ministro principal de todo Sacramento é Nosso Senhor, em nome dEle é que se administram-nos. O agente humano é apenas o ministro secundário ou instrumental, que age, no dizer dos teólogos, in persona Christi captis:

Quando, entre vós, um diz: Eu sou de Paulo, e outro: Eu, de Apolo, não é isto modo de pensar totalmente humano? Pois que é Apolo? E que é Paulo? Simples servos, por cujo intermédio abraçastes a Fé, e isto conforme a medida que o Senhor repartiu a cada um deles: eu plantei, Apolo regou, mas Deus é Quem fez crescer (I Cor 3,4ss).

Quando Pedro batiza, é Ele, Cristo, Quem batiza; quando Paulo batiza, é Ele Quem batiza; quando Judas, o traidor, batiza, é Ele Quem batiza (Santo Agostinho, Tract. in Ioan. 6,7, destaques nossos).

O ministro precisa ter, para validade, o poder de ordem e a intenção de fazer o que faz a Igreja [2].

Para a liceidade, a jurisdição (autorização, por parte da Igreja, para exercer o poder de ordem), obediência ao rito correspondente e o estado de graça.

Sujeito

Sujeito é a pessoa capaz de receber. Analogamente ao ministro, o sujeito pode até tornar inválido o Sacramento, pois é nele, no sujeito, que o Sacramento tem a sua existência [1]. Igualmente, o sujeito pode apenas tornar ilícita a recepção sacramental, caracterizando um pecado de sacrilégio.

Apenas os seres humanos vivos são sujeitos válidos dos Sacramentos porque, evidentemente, a recepção da graça exige o estado de via [3]:

E por nós, homens, e para nossa salvação desceu [Cristo] dos Céus e Se encarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria e Se fez homem (Símbolo niceno-constantinopolitano).

Para a liceidade, se requer do sujeito o estado de graça, para os Sacramentos dos vivos, ou a atrição sobrenatural, para os Sacramentos dos mortos, e a devida preparação.

Intenção

Para ambos, ministro e sujeito, requer-se a intenção; este de receber e aquele de conferir. Intenção é o ato da vontade por que o ser racional determina a finalidade do seu obrar. Os teólogos a subdivide em atual, virtual e habitual.

A intenção atual é aquela que é formulada no ato mesmo da ação. A intenção virtual (ou implícita) é formulada antes do ato, sem revogação posterior e lhe é virtualmente unida.

A habitual, que Santo Tomás não toma como uma espécie de intenção, é presumida mediante a boa-fé do agente que obra sem consciência do que faz. Por exemplo um padre que batiza alguém sob efeito de anestésico.

A intenção do ministro tem que ser virtual (ao menos, sendo preferível a atual) e absoluta de fazer o que a Igreja faz, não necessariamente de fazer o que ela acredita, como ensina São Roberto Belarmino:

O Concílio [de Trento] não menciona a finalidade do Sacramento, nem diz que o ministro deve ter a intenção de fazer o que é a intenção da Igreja, mas o que a Igreja faz. Ora, o que a Igreja faz não significa a finalidade, mas a ação (De sacramentis in genere livro I, cap. 17, n. 13, destaques nossos).

A intenção do sujeito pode ser a habitual (ou seja, não se opor à graça, embora o ideal seja a atual) e absoluta.

*

Concluído o mínimo que se deve saber a respeito dos Sacramentos da Igreja, passaremos a estudar um por um.

________________
Notas

[1] À exceção da Eucaristia que tem existência real, todos os demais Sacramentos têm existência atual apenas.

[2] A intenção pode afetar a validade sacramental e, por isso, existe um erro propagado entre os tradicionalistas que a mera falta de Fé nos Sacramentos ou em um ponto da Fé invalida-los-ia (o que é o erro donatista). Sobre isso apresentamos um estudo.

[3] Ver nota 4 da parte 1.

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