A VOZ DO POVO NÃO É A DE DEUS

1domingoramos

«Hosana ao Filho de Davi! Bendito seja o que vem em nome do Senhor».

«Que seja crucificado».

Que tremenda meditação nos propõe o II Domingo da Paixão ou Domingo de Ramos…

Em primeiro, vemos o Cristo, entrando triunfante em sua cidade. Cristo Rei, mas um Rei «manso e humilde», pois está no “jumento, que leva o jugo” (Evangelho dos Ramos). Por isso, a Liturgia faz uso dos paramentos vermelhos, a cor régia. E inicia-se a procissão de ramos.

Mas nesta procissão, que é em honra a Cristo Rei, avança um estandarte diferente: a Cruz, que está descoberta, antecipando a Morte do Rei. Mas como se pode louvar um rei lembrando sua morte? Por que a liturgia prescreve isso!?

Ora, a Cruz, outrora sinal de pavor e ignomínia, é o trono escolhido pelo Rei; é Seu jugo pelos pecados e sinal de Sua vitória. É nela que Ele reina e subjuga e atrai a Si toda a criação.

Ao chegar à sua casa, o Rei encontra-a de portas fechadas. Como não enxergar aí um paralelo à rejeição que Ele encontrou entre Seu povo? Os seus não O reconheceram; o pai de família tem que bater à porta para entrar em sua própria casa. O mesmo faz o sacerdote, representante de Cristo, ao chegar à frente da igreja, encontrando-a fechada, bate na porta principal com a cruz, pois só pela Cruz as ovelhas reconhecem seu Pastor ─ discípulos de Emaús (Lc 24,13ss) e aparição depois da pesca frustrada (Jo 21,8ss):

E quando Eu for levantado da terra, atrairei todos [os homens] a mim (Jo 12,32).

Assim que as portas se abrem, logo vem outra antecipação da Paixão: a igreja está, como no domingo anterior, com as imagens dos Santos veladas de roxo. E dessa cor se reveste o celebrante para proceder a Missa, pois a Igreja está desamparada, como uma viúva, por causa da Paixão e Morte de seu Salvador e Esposo.

Nosso Senhor, Homem das dores, experimentando-a totalmente, é desafiado pelos passantes para provar Sua messianidade; e assim o Gradual da Missa:

Tomastes-Me pela mão direita, e em Vossa vontade Me conduzistes e com glória Me assumistes (…) mas Meus pés, todavia, por pouco não vacilaram: por pouco não se desviaram meus passos: pois invejei os pecadores, vendo a paz dos que pecam.

Após contemplar a sorte dos que Lhe caluniavam, Nosso Senhor Se vê desolado:

Ao impropério e à miséria esperou o Meu coração; e esperei se alguém se compadecia de Mim e não houve ninguém; procurei quem Me consolasse, e não encontrei; e deram como Minha bebida o fel e em minha sede Me deram a beber vinagre (Antífona do Ofertório).

O fel (mistura com vinho) era usado para inebriar os torturas da Cruz; mas “Ele provou, mas se recusou a beber” (Evangelho da Missa da Paixão).

Depois exclama: “Meus Deus, meu Deus, por que Me desamparastes” (Evangelho da Missa da Paixão). Sentiu este abandono para que nós não nos sentíssemos abandonados, apesar dos pecados que cometemos. Cita Ele as primeiras palavras do Salmo 21 para mostrar aos judeus, que O condenaram, seu perfeito cumprimento, como tentativa de convertê-los (Tracto). Ao mesmo tempo que esse Salmo descreve a terrível cena da crucificação, mostra a vitória de tão grande Rei:

Livrai-me da boca do leão e dos cornos dos unicórnios a minha humildade. Os que temeis ao Senhor, louvai-O; todos da descendência de Jacó, magnifiquem-O. Será anunciada [com o nome do] Senhor a geração vindoura e anunciarão os céus a sua justiça. Ao povo, que nascerá, ao qual fez o Senhor.

Essas são as duas partes bem distintas deste domingo: o Rei, aclamado pelo povo, e Sua crucificação, exigida pelo mesmo povo: o Rei Crucificado!

Acompanhemos esta Semana Santa com o mesmo fervor que a Santa Igreja recomenda e a mesma compunção que ela sente, como a Esposa que tem o Esposo, inocente, injustamente tomado. Que a isso nos valham as intercessões da Virgem, Mãe das dores, e de São José, seu Esposo.

jesus carregando a cruz

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