SOBRE O ECUMENISMO

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Após o escandaloso vídeo ecumênico do Papa Francisco, julguei oportuno publicar este texto sobe o ecumenismo pós-conciliar. O texto originalmente foi escrito em italiano e a tradução apresentada aqui é do inglês, publicado pelo Rorate Cæli.

O autor é Don Pietro Leone. Na verdade, “Dom Pietro Leone é o pseudônimo de um sacerdote que celebra a Missa tradicional em plena e pacífica comunhão com seu Ordinário em algum lugar no grande berço da civilização conhecido como Itália”.

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Ecumenismo

 

No princípio havia o Ecumenismo, e o Ecumenismo estava com Deus e o Ecumenismo estava acima de Deus’ (Aggiornamento per tutto compreso i vangeli, cap.iv, Ester Maria Ledda, 2013, Bonanno).

No Departamento de Infantaria e Arsenal de sua oficina infernal, Satã certamente dá um lugar de honra ao Ecumenismo. Peça-o para mostrá-lo no seu passeio pelo Inferno, se você algum dia tiver o infortúnio de acabar lá. Essa poderosa arma é recente. Ela foi elaborada para a era moderna em que a Fé está esfriando e foi projetada para acelerar esse processo. Sua primeira reação será de admiração: ‘Mas que belo artefato!’, você dirá. Sua segunda reação, quando olhá-la mais cuidadosamente, será de surpresa ao descobrir ser ela completamente oca. ‘Todas as nossas armas são ocas’, responderá o demônio secamente. ‘Ainda não entendeu? O importante é a aparência da coisa. Mas é verdade’, ele concederá depois de pensar um momento, ‘esta é particularmente oca’.

*

O Ecumenismo é sem substância: oco tanto lógica quanto moralmente.

I. Vazio

1. Vazio lógico

Há duas formas de Ecumenismo. A primeira visa a união de todas as confissões cristãs, ou todas as ‘religiões’ (ou ‘crenças’), sustentando ser todas elas verdadeiras; a segunda visa essa união com base no seu menor denominador comum.

Apresentaremos uma incoerência lógica de cada vez.

a) A Incoerência da Primeira Forma de Ecumenismo

Quanto ao primeiro tipo, citamos São Pio X na Pascendi: ‘E os modernistas de fato não negam, ao contrário, concedem, uns confusa e outros manifestamente, que todas as religiões são verdadeiras’. O Papa está se referindo a uma concepção subjetivista de religião a qual é reduzida à experiência pessoal de cada pessoa sobre Deus em sua própria religião, junto com o simbolismo pertencente a ela. Essa concepção foi condenada por ele em seu Decreto Lamentabili e na supracitada Encíclica Pascendi.

Isso não significa, contudo, que não haja muitos dispostos a afirmar que todas as crenças e religiões são verdadeiras, até mesmo os conceitos objetivos de fé e religião. Deve ser dito que tal afirmação viola o princípio da não-contradição, uma vez que há só uma realidade, e cada crença ou religião apresenta uma visão diferente e exclusiva dela. Por essa razão, o fiel convicto em qualquer religião ou crença reivindica que sua visão está correta e que as visões dos outros fiéis estão erradas: em resumo, ele reivindica que sua crença ou religião é a única crença ou religião que existe.

A Una Santa Igreja Católica Romana pode ir além e dizer não só ser Sua a única verdadeiraFé e Religião, mas também ser ela a única Fé e Religião, sem mais (tout court). Pois a Igreja ensina ser a Fé um tipo de conhecimento, isto é, o entendimento da realidade: a realidade que é Deus; e uma vez que há apenas uma única realidade e um único Deus, não pode haver mais de um conhecimento dessa realidade, dessa única realidade que é Deus. Além disso, a Igreja ensina que só a Fé Católica (junto com o Batismo) nos une a Deus, e que, portanto, a Fé Católica também é a única religião, uma vez que ‘religião’ não significa mais que um sistema espiritual que nos liga (ligat em latim) a Deus.

A popularidade da teoria de que todas as ‘crenças’ ou ‘religiões’ são objetivamente verdadeiras nos mostram a extensão com a qual o homem moderno se tornou incapaz do pensamento racional – mesmo se o absurdo de tal teoria certamente não a torna menos respeitável aos olhos dos Modernistas.

b) A Incoerência da Segunda Forma do Ecumenismo

A segunda forma de Ecumenismo reduz a Fé a um amálgama de diferentes credos, comparando-a então com as de outras ‘crenças’ ou ‘religiões’ em busca de uma base comum para sua união. A Una, Santa, Igreja Católica Romana, em contraste, ensina ser a Fé constituída por uma unidade inpisível, derivando do seu objeto: Deus como Ele é em Si mesmo. Por essa razão não é possível prescindir dentre toda a doutrina Católica coisa alguma de interesses de conformidade para os outros.

2. Vazio Moral

O Ecumenismo é apresentado como um tipo de união espiritual que visa um bem imaterial. Em outras palavras, é apresentado como um tipo de amor espiritual, isto é, entre membros da Igreja Católica e para os que estão fora dela. Mas não se constitui em amor espiritual, uma vez que não consiste nem em união espiritual (seja qual for o sentido substancial do termo) nem em qualquer forma de bem imaterial.

a) Falta de União Espiritual

i) Agora à Igreja Católica foi dado o encargo, por Nosso Senhor, de estabelecer um único tipo de união espiritual com não-católicos; ela é tripla:

  • A união sob a autoridade da hierarquia Católica;
  • A união dos sete sacramentos;
  • A união da Fé Católica.

Esse é o único tipo de união que a Igreja Católica tem o múnus de estabelecer com os outros, uma vez que apenas esse tipo de união pode realizar o bem espiritual em seu sentido fundamental, em outras palavras, em sua salvação. A união procurada pelo Ecumenismo, em contrapartida, é apenas uma união parcial, dada a ausência de um ou mais desses três elementos.

ii) A união espiritual buscada pelo Ecumenismo não é, pois, redentora. Tampouco é sobrenatural, uma vez que o Ecumenismo tipicamente reduz o Catolicismo a uma fé (essa entendida simplesmente como uma variedade de diferentes crenças) e, ao fazê-lo, ignora os Sacramentos, meios necessários para nos unir a Deus aqui na terra e no Céu. Destacamos ainda nos dois documentos do Concílio Vaticano II, Ad Gentes e Nostra Ætate, os quais se referem à relação entre a Igreja e as religiões não cristãs, não se encontrar o termo ‘sobrenatural’ em parte alguma.

iii) A união espiritual tipicamente buscada pelo Ecumenismo também não é moral, pois ele tende a reduzir a Fé a doutrinas concernentes à natureza e à realidade de Deus. Fazendo isso, no entanto, ele negligencia as doutrinas morais como uma parte essencial à Fé, também necessárias à vida eterna, uma vez que a Fé é a luz que nos mostra o caminho para o Céu.

b) Falta de Bem Espiritual

O tipo de bem exclusivamente promovido pelo Ecumenismo não é a salvação, mas meramente a paz terrena e a felicidade, que não são de forma alguma bens espirituais. Ademais, não é essa a tarefa primária ou essencial da Igreja. A Igreja, como já indicamos, foi fundada para o bem eterno dos homens: para sua salvação. O Ecumenismo, em contrapartida, visa unicamente no seu bem terreno. Não é, portanto, uma iniciativa espiritual, mas meramente política. O bem terreno dos homens é, se muito, um dever secundário da Igreja, como uma consequência da sua tarefa primeira que é o bem eterno.

II. Sentimentalismo

1. A Natureza do Amor Ecumênico

Talvez alguém tentará defender este falso Ecumenismo, que é a busca pelo bem terreno do homem, sustentando não deixar de ser uma forma de amar, mesmo não sendo espiritual, e afirmando que ‘o Amor é suficiente’, que, afinal de contas, o amor é a razão para vivermos e que o próprio Deus é amor: uma vez que a Santíssima Trindade é um mistério de amor entre as Três Pessoas pinas.

Investiguemos, então, em maior detalhe a natureza do amor ecumênico, primeiro o elemento da união, em seguida o bem que esta união intenta produzir.

a) União Ecumênica

O que une as partes às iniciativas ecumênicas?

Crenças e ideais comuns, para a exclusão das diferenças doutrinais. Este princípio é tipicamente expressado com a frase: ‘O importante é o que temos em comum, não o que nos separa’. Em relação com outras religiões em particular, normalmente se expressa a frase: ‘Nós adoramos o mesmo Deus’.

Essas crenças e ideais comuns fornecem a base para o ‘Diálogo’, processo não orientado para estabelecer uma Verdade objetiva, mas simplesmente troca fraterna, um processo que põe as duas partes em termos iguais com a compreensão implícita que uma não tentará impor sua visão da Verdade sobre a outra. Elas fornecem a base igualmente para iniciativas em comum como assembleias inter-religiosas ou interconfessionais, ou atitudes diplomáticas como plantar árvores ou dar abraços.

Algo notável da união ecumênica é que ela prescinde da Verdade objetiva. Isso, no entanto, é irracional, pois a fim de estabelecer relações com outras crenças cristãs ou outras religiões de uma forma racional e realista, devemos primeiro levar claramente em consideração a Verdade por inteiro e não somente uma parte dela: não apenas crenças e ideais comuns, mas também diferenças doutrinais.

De fato, depois de um momento de reflexão, podemos perceber que não é tanto o que temos em comum com outras crenças e religiões que é importante, mas o que nos separa: uma vez que o que nos separa é a Fé, e a Fé guarda a chave para a vida eterna.

Tomemos o exemplo das outras religiões monoteístas: judaísmo e islamismo. O fato de elas ‘adorarem o mesmo Deus’ que nós é irrelevante. Pois o Deus por eles adorado é o mesmo Deus da Fé Católica apenas em um sentido filosófico: sendo Ele Mesmo, como Criador e Fim de todas as coisas; ao passo que o Deus que eles adoram não é o mesmo Deus da Fé Católica no sentido teológico, no sentido da Fé, pois Deus, no sentido teológico, é a Santíssima Trindade a Quem eles negam. O importante nisso, então, como já explicamos, é aquilo que nos separa: a crença no Deus da Fé Católica, pois apenas essa crença é salvífica.

b) Bem Ecumênico

Qual bem é visado pelo ecumenismo? O bem terreno ou político do homem. Isso iria, sem dúvida, justificar a iniciativa ecumênica, não fossem as maldades que esta iniciativa engendra (vide seção III). Em outras palavras, o Ecumenismo oferece ao homem um bem terreno à custa do seu bem espiritual.

*

Concluímos que o Ecumenismo não é o tipo de amor apropriado entre a Igreja e outras religiões ou crenças. O tipo apropriado de amor é, antes, a Evangelização, uma vez que, como qualquer forma de amor racional, ela visa o verdadeiro bem do outro, deveras em seu supremo bem que é a salvação, a qual ela procura assegurar através da sua conversão.

Que o tipo de amor proposto pelo Ecumenismo é inapropriado pode ser ilustrado pela seguinte imagem: Certa quantidade de pessoas está tentando atravessar o oceano. Alguns estão viajando em uma grande barca construída para sobreviver a tempestades e todos os tipos de perigos e equipada com tudo quanto é necessário para tão longa viagem. Outros estão viajando em barcos menores: veleiros, barcos de remo; outros em jangadas ou boias; ainda outros estão simplesmente nadando. Apenas a grande barca vai chegar ao outro lado em segurança; alguns dos outros barcos podem chegar com grande dificuldade; o restante dos barcos e pessoas, por outro lado, certamente não vão chegar. Aqueles na grande barca não tentam persuadir os outros a subir a bordo, mas apenas os cumprimentam despreocupadamente enquanto passam. Como o leitor deve ter entendido, a grande barca é a Igreja Católica; as pessoas fora da barca são aquelas que não pertencem à Igreja, ou ao menos não pertencem ao Corpo de Cristo.

É obviamente mais fácil e mais pertido, pelo menos no momento, acenar e sorrir despreocupadamente para os outros estando em uma bela embarcação, do que dizer que eles estão cometendo um erro, persuadi-los a deixar seu barco (o qual provavelmente gostam muito), e deixá-los vir a bordo. E mais, se vierem a bordo haverá todo o trabalho de cuidar deles.

Já dissemos que falso Ecumenismo é um tipo inapropriado de amor. Como podemos caracterizá-lo mais precisamente? Na medida em que ele prescindir da Verdade objetiva, é irracional como já sugerimos acima, e, portanto, não se constitui em amor racional, mas apenas em amor emocional. Pode ser caracterizado mais precisamente como sentimentalismo. Esse sentimentalismo fez sua primeira aparição oficial na Igreja nos textos do Concílio Vaticano II, em suas linguagem e atitude suaves e conciliadoras com outras religiões e, acima de tudo, com o mundo moderno, e em uma nova doutrina ética, em que o fim primeiro do casamento é o ‘amor’. Como um substituto ao amor verdadeiro, isto é, da virtude do amor, esse amor sentimental é efeminado e emasculado. Por causa da falta de formação e vigilância do clero e dos fieis, foi capaz de passar no Concílio supracitado como amor verdadeiro.

2. O Erro Metafísico do Ecumenismo

O erro metafísico subjacente ao Ecumenismo é a prioridade que ele concede para a Ordem do Bem em detrimento da Ordem da Verdade.

a) No Plano Natural

A alma do homem tem duas faculdades principais: inteligência e vontade (ou apetite/amor racional), e ambos precisam ser empregados em seus atos. A razão profunda para isto é que ambas as faculdade são necessárias ao homem para que possa glorificar a Deus inteiramente. Para a objeção de que ‘O amor é suficiente’, respondemos com a afirmação que a inteligência é também necessária.

É necessário acrescentar ainda que a inteligência tem precedência (lógica) sobre o amor, na medida em que o amor é cego e deve ser guiado pela inteligência: antes de amar, precisamos saber o que amar e como amar. Se um beberrão me pedir cem reais, e eu lhos der, não estarei amando-o. E se alguém está tentando atravessar o oceano a nado, não o estou amando ao meramente acenar para ele do meu belo iate enquanto passo.

b) No Plano Sobrenatural

No plano sobrenatural, a inteligência em questão é a Fé, e o amor em questão é a Caridade. Ambas – Fé e Caridade – devem ser empregadas nas ações do homem. Não é suficiente ter apenas Fé para ser salvo; não é apenas suficiente amar para ser salvo: ambas, Fé e Caridade, são necessárias.

Além disso, a Fé (como inteligência sobrenatural) tem precedência lógica sobre a Caridade (como amor sobrenatural). O objeto da Fé é Deus, a Santíssima Trindade, e somos incapazes de amá-lO com Caridade (e nosso próximo nEle por amor dEle) antes de conhecê-lO através da Fé.

Em nível mais profundo, podemos dizer com o Professor Romano Amerio, em seu admirável livro, Iota Unum, que o conhecimento precede o amor no sentido último da Santíssima Trindade em Si mesma, uma vez que o conhecimento de Deus através do Verbo precede o amor de Deus através do Espírito Santo: a Processão do Filho do Intelecto do Pai precede a Processão do Espírito Santo do recíproco Amor do Pai e do Filho. Nesse sentido podemos dizer que Deus, antes de ser um mistério de Amor, é um mistério de Verdade. A prioridade em questão aqui, como antes, é uma prioridade lógica: o Pai e o Filho são consubstanciais e suas relações recíprocas não são distintas temporalmente.

Vemos, então, que os ecumenistas estão errados quando agem como se o amor fosse tudo o que importa, uma vez que – repetimos – tanto o conhecimento quanto o amor são necessários, em que o conhecimento tem precedência lógica sobre o amor: Fé sobre Caridade: a Ordem da Verdade sobre a Ordem do Bem.

III. O mal do ecumenismo

Chamamos o Ecumenismo de um amor substituto. Quem o inventou senão o Demônio, o Imitador de Deus e Mestre de todo o Engano? É sua invenção, ou antes, um novo uso para uma antiga invenção sua que são as falsas religiões. Pois ele criou o Falso, ou o não Católico, religiões com o objetivo de apartar o homem do seu fim último que é o Paraíso. Para esse fim, o Exterminador foi cuidadoso ao preservar alguns elementos da Verdade Objetiva e Bondade nelas, de forma a fazer seu produto mais atrativo e aceitável às suas vítimas. Na era atual ele tem usado desses mesmos elementos, ele tem apresentado esses mesmos elementos, como algo positivo, isto é, como ‘O que temos em comum’ de forma a orquestrar a grade Farsa Ecumênica do enganoso, do amor sentimental para a corrosão da Fé Católica: religiões substitutas para evangelização substituta pelo amor substituto.

Que males compreendem essa corrosão da Fé Católica?

1) O primeiro mal do Ecumenismo é que ele obscurece a Fé. De fato, como uma típica iniciativa modernista, o Ecumenismo é, por sua própria natureza, obscurantista. Se o Papa abraça o Dalai Lama, se aquele reza com esse ou com algum outro líder religioso; se um padre católico recita as palavras da Consagração na Santa Missa com um ministro protestante, eles pareceriam ter algum ponto espiritual em comum, mas em que precisamente ele consiste? É obscuro.

O que o Ecumenismo particularmente obscurece é a unicidade da Fé Católica. Pois ao colocar a Fé Católica no mesmo patamar que outras ‘crenças’ ou ‘religiões’ ele obscurece o fato de ela ser a única verdadeira Fé e Religião e a única que pode salvar o homem, já que contém em si a plenitude das doutrinas e Sacramentos necessários à salvação.

2) O católico que por meio de alguma atitude ecumênica esteja interessado apenas no que ela tenha em comum com outras crenças cristãs ou outras religiões e o que o une a elas, enfraquece a Fé (a sua própria e a de qualquer outro que possa testemunhar sua atitude) contida nos artigos das quais passa por cima em silêncio.

Por exemplo, aquele que esteja interessado apenas no que o une aos luteranos, silencia e subsequentemente enfraquece a Fé na natureza sacrificial da Santa Missa e nos sete Sacramentos, como também no culto de Nossa Senhora; aquele que esteja interessado no que o une aos judeus e muçulmanos, silencia e enfraquece a Fé no mistério da Santíssima Trindade como também na pindade e missão redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo, que constitui o núcleo da Fé.

3) Aquele que obscurece e enfraquece a Fé, diminui a própria possibilidade de salvação (a sua e a de qualquer outro que venha a testemunhar tal gesto).

4) O Ecumenismo humilha a Igreja ao por a Imaculada Esposa de Cristo no mesmo patamar das intenções do Demônio.

5) Ofende a Nosso Senhor Jesus Cristo como Fundador da Igreja, ao pô-lO no mesmo nível dos fundadores de outras ‘crenças’ que negam, rejeitam ou blasfemam dEle.

6) Enquanto o ecumenista obscurece e silencia a Fé, humilha a Igreja e ofende Nosso Senhor Jesus Cristo, incorre no desagrado do Senhor que diz: ‘Pois aquele que se envergonhe de Mim ou de minhas palavras, dele o Filho do homem Se envergonhará, quando Ele vier em Sua majestade, e na do Seu Pai, e na dos santos anjos’ (Lucas 9, 26).

7) Aquele que nesse processo ilegítimo de aproximação entre outras crenças ou religiões chega ao ponto de negar mesmo um único artigo da Fé, não apenas enfraquece sua Fé, mas cai em heresia e a perde inteiramente.

8) Aquele que nega toda a Fé, ou o núcleo da Fé, cai em apostasia.

9) Em escala global, o Catolicismo, através do Ecumenismo interconfessional, colapsa, como já podemos testemunhar dolorosamente, em uma espécie vaga de Humanismo levemente tingida de Cristianismo.

10) Através do Ecumenismo inter-religioso, por contraste, o Catolicismo se dissolve em uma religião puramente naturalista, isolada da Graça. Essa religião pode assumir duas formas:

  • um amálgama de todas as religiões, tornando-se uma sorte de vago humanismo sem traço algum de cristianismo;
  • um amálgama de todas as religiões monoteístas.

Essa segunda forma de religião tem dois tipos: o primeiro, um deísmo vago; o segundo, um monoteísmo que retém o que as três grandes religiões monoteístas têm em comum teologicamente, isto é, pelo menos teoricamente, o Antigo Testamento. Dessa forma o Catolicismo se dissolve efetivamente em judaísmo, ou mais precisamente em uma religião mundana judaico-maçônica conhecida como ‘Noecismo’ (Noachism, em inglês). Terá sido esse o motivo da Encarnação, Vida, Paixão e Morte, entre os mais atrozes espasmos de dor, de Nosso Senhor?

O mal do Ecumenismo é, em suma, que ele obscurece, silencia, e enfraquece a Fé; ele diminui a possibilidade de salvação; humilha a Igreja, ofende e desagrada Nosso Senhor Jesus Cristo; tende em direção à heresia e à apostasia; ele empurra o Catolicismo em direção ao Humanismo, Deísmo, Noecismo. Não é, então, surpreendente que a época dos primeiros encontros entre várias crenças cristãs não católicas, a Igreja tenha declarado explicitamente através da boca do Pontífice Romano Pio XI (Mortalium Animos, 1928) que: ‘…é manifestamente claro que a Santa Sé não pode, de modo algum, participar de suas assembleias e que, aos católicos, de nenhum modo é lícito aprovar ou contribuir para estas iniciativas: se o fizerem, concederão autoridade a uma falsa religião cristã, sobremaneira alheia à única Igreja de Cristo’. Claramente o princípio aqui aplicado a relações entre a Igreja e outras crenças deve ser aplicado, mutatis mutandis, a relações entre a Igreja e outras religiões.

CONCLUSÃO

Concluímos esse ensaio resumindo rapidamente os pontos em que Ecumenismo e Evangelização convergem e pergem.

Tanto Ecumenismo quanto Evangelização têm pretensão de universalidade. O primeiro termo, derivado da palavra grega para ‘mundo’, significa na realidade a acomodação da Fé Católica a todas as outras crenças e religiões do mundo. O último termo, como fica claro ao se olhar o fim de todos os Evangelhos Sinóticos, significa a catequese, batismo e conversão de todo o mundo à Una Fé Católica.

Tanto o Ecumenismo quanto a Evangelização são tipos de amor: ambos almejam a união entre as partes visando um bem prospectivo. O Ecumenismo procura a união com base nas crenças comuns, do ‘Diálogo’ compreendido como uma forma de movimento perpétuo (mouvement perpetuel) e de abraços. Ele vislumbra um bem meramente terreno, ou político. A Evangelização, por contraste, procura a união com base na Única e Verdadeira Fé, nos sete Sacramentos e na submissão ao Pontífice Romanos. Ela vislumbra o bem eterno do homem no Paraíso.

Ecumenismo e Evangelização pergem mais marcadamente em matéria da Verdade. O Ecumenismo não está interessado na Verdade; a Evangelização, por contraste, mantém-na em mais alta importância, pois ela consiste precisamente no anúncio da Verdade: na comunicação da Verdade àquele que está na ignorância da Verdade, de forma que ele também possa vir a possuí-la e então ser salvo. Essa Verdade nada mais é, em último senso, que a Santíssima Trindade, Aquela que criou o homem na ordem humana, e todo homem, sem exceção, conheça-O e ame-O aqui na terra e assim alcance a sua eterna bem-aventurança no Paraíso. Amém.

***

Tradução: José Napoleão Godoy

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