MADRE TERESA E A CANONIZAÇÃO

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Seguindo as publicações sobre as canonizações após o CVII e da reforma implementada por João Paulo II, publicamos um caso específico que deixaremos para reflexão e conclusões dos leitores. Trata-se de uma nova canonizada bem conhecida do mundo e que agrada a “católicos” e não católicos (sic!): Madre Teresa de Calcutá.

Segue então a tradução do texto que pode ser encontrado no original aqui.

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Madre Teresa deve ser canonizada?


 

Eu sinto como se estivesse abrindo aqui uma caixa de Pandora, mas penso que deva valer a pena levantar este importante tópico. Eu fui motivado a escrever sobre Madre Teresa depois de ler algumas postagens do Athanasius [1] sobre o falecido João Paulo II. Nelas, o Athanasius postula o argumento de que apesar de ninguém duvidar da sinceridade e da virtude do falecido Pontífice, suas falhas em sua função como pastor e guardião do Deposito da Fé o fazem um candidato inadequado para canonização. Eu aqui [neste texto] proponho uma assertiva para Madre Teresa: ainda que ninguém duvide da bondade dos seus feitos trabalhando junto aos pobres de Calcutá, suas declarações sobre Deus em relação aos infiéis são extremamente problemáticas. Isso é especialmente preocupante uma vez que o trabalho missionário era seu principal objetivo (i.e., a conversão de almas para a verdadeira Fé por amor de Deus). Ao analisar seu processo de santidade, o problema encontra-se na questão da Fé, a primeira e mais importante das virtudes heroicas necessárias para se proclamar um bem-aventurado.

Antes de prosseguir, deixe-me adverti-lo quanto a uma [possível] reação automática contra o que estou prestes a dizer. “Como você pode dizer uma coisa dessas sobre Madre Teresa? Ela fez tanto bem – você não conhece seu coração!”. Verdade – ela fez mais bem que eu jamais farei. Mas não estamos falando sobre “conhecer seu coração”; estamos falando sobre ler algumas declarações muito preocupantes que ela fez em seus escritos. Então, se você quiser me acusar de arrogância ou de tolice ao afirmar que ela não deve ser uma santa, por favor, direcione seus comentários em direção às próprias palavras de Madre Teresa, que são os assuntos dessa postagem.

Então, que fez Madre Teresa que é tão questionável à sã doutrina? Tome [por exemplo] esta declaração tirada de sua biografia autorizada:

Eu morreria pela minha Fé católica, mas eu nunca tentaria forçá-la a alguém. Nós nunca sabemos como Deus está se comunicando a uma pessoa. Eu espero ajudar muçulmanos a tornar-se melhores mulçumanos; hindus, melhores hindus; cristãos, melhores cristãos (Símbolo de Abnegação, Revista World, vol. 12, no. 18, 20 de set de 1997 – http://www.worldmag.com/1997/09/this_week_2).

Tornar “hindus melhores hindus”? Não seria melhor converter hindus em católicos? Trabalhar entre os pobres é importante, mas se isso não leva a conversões, então você está gastando seu tempo servindo apenas às necessidades do corpo, enquanto negligencia os assuntos mais importantes, os da alma. “Melhor entrar na vida eterna aleijado que ter o corpo jogado no inferno”. E isso [acima] não é uma declaração isolada de Madre Teresa. Aqui está uma citação semelhante:

Há um só Deus e Ele é Deus para todos; portanto, é importante que todos sejam vistos como iguais perante Deus. Eu sempre disse que devemos ajudar um hindu tornar-se um melhor hindu, um mulçumano, um melhor mulçumano, um católico, um melhor católico. Nós acreditamos que nosso trabalho deve ser nosso exemplo às pessoas. Temos entre nós 475 almas – 30 famílias são católicas e o resto são hindus, mulçumanos, sikhs – todos de religiões diferentes. Mas todos vêm para nossas orações (A Simple Path, Madre Teresa, 1995 – sem tradução para português).

De fato, isso parece ser algo que ela gosta de repetir sempre e sempre. Também, em Madre Teresa: seu Povo e seu Trabalho (por Desmond Doig), Madre Teresa afirma, “Se ao ficarmos face a face com Deus nós O aceitarmos em nossas vidas, então estamos nos convertendo. Nos tornamos um melhor hindu, um melhor mulçumano, e um melhor o que quer que sejamos… O deus que estiver em sua mente, você deve aceitá-lo”. “O deus que estiver em sua mente, você deve aceitá-lo”? Isso soa como o deus dos alcoólicos anônimos, não do Catolicismo. Não só ela estava procurando fazer “melhores mulçumanos”, mas ela mesma frequentemente permitia que suas irmãs participassem de adoração idólatra de falsas religiões. Considere esta citação de uma de suas memórias:

Nós íamos todos os dias rezar em algum templo ou igreja. O Arcebispo nos deu permissão para fazê-lo. Orávamos com judeus, armênios, anglicanos, jainistas, sikhs, budistas e hindus. Era extraordinário. Todos os corações unidos em oração ao único e verdadeiro Deus (Servas do Amor: Madre Teresa e Suas Missionárias, Edward Le Joly, 1977).

“Corações unidos em oração ao único e verdadeiro Deus”? O hinduísmo tem cerca de 330 milhões de deuses. Para qual desses 330 milhões Madre Teresa estava rezando, e como ela sabia que isso era sinônimo de “um único e verdadeiro Deus”? Este é o principal problema com ela: Madre Teresa parece ter sido uma adepta do sincretismo, que todas as religiões basicamente adoram o mesmo Deus e que elas são todas caminhos igualmente válidos até Ele. Isso ela proclama em uma carta escrita para o presidente indiano: “Alguns O chamam de Ishvar, outros O chamam de Alá, outros simplesmente de Deus, mas temos de reconhecer que é Ele que nos fez para coisas maiores: amarmos e sermos amados. O que importa é que amemos. Não podemos amar sem oração, e, portanto, qualquer que seja a religião que estamos, devemos orar juntos”. Para qualquer católico tradicional, a ideia de que o Deus Trino é o mesmo que Alá ou Ishvar é blasfema.

Além disso, seu único “milagre” é fracamente atestado. Em 2002, o Vaticano reconheceu um milagre, a cura de Monica Besra, uma aldeã de 35 anos do norte da Índia curada de um tumor ovariano. Besra e as Missionários da Caridade alegam que o tumor desapareceu em setembro de 1998 quando uma medalha com a imagem da falecida freira albanesa foi posta sobre o local onde sentia dor.

Entretanto, o Dr. Ranjan Mustafi, ginecologista chefe que tratava a mulher no Hospital de Balurghat no estado de Bengala Ocidental, diz que era bem possível que a paciente tenha sido curada por quatro drogas antituberculose que ela estava utilizando na época, que poderiam ter dissolvido o tumor[2]. Ele disse que admira muito Madre Teresa e pensa que ela deveria ser beatificada por seu trabalho entre os pobres. Mas não por este caso. “Ela [Besra] tinha uma condição clínica que foi curada por ciência médica, não por algum milagre”, diz ele. Os seus superiores no hospital o apoiam, dizendo que os registros mostram que ela respondeu continuamente ao tratamento. Cinco médicos em Roma consultados pelo Vaticano sobre o caso desconsideraram essa probabilidade científica e rapidamente concordaram que não havia explicação médica para a cura. Mustafi afirmou que nunca foi contatado pelo Vaticano.

Monica Besra, é claro, acredita no milagre (por sinal, seu próprio marido duvida do milagre e atribui a cura aos médicos), mas admite que estava recebendo tratamento pelos médicos no Hospital estatal de Balughart à época. “Aqueles que amam a Madre [Teresa] irão acreditar”, diz ela simplesmente. Que ela ama Madre Teresa não há dúvidas. Mas não é sentimento que determina o valor de um milagre nos processos normais da Igreja Católica…

Isso está bem distante do tipo de verificação escrupulosa a que foram submetidos os milagres de Lourdes para determinar sua autenticidade, em 1858. Como pode o Vaticano aprovar um milagre quando nem mesmo contataram o médico envolvido no caso? A declaração de Besra de que “Aqueles que amam a Madre [Teresa] irão acreditar” soa muito parecida com os entusiastas de Medjugorje, que defendem cegamente Medjugorje não importam quais fatos se apresentem de que as supostas aparições sejam fraudulentas. Então, nesse caso: a mulher apela à emoção e ao “amor” acima da um inquérito cuidadoso e de uma análise escrupulosa.

Eu não acho que Madre Teresa mereça ser elevada aos altares. Acredito eu que ela está no paraíso? Penso que ela certamente está em seu caminho até lá. Ela amava Jesus apaixonadamente e exercia virtude heroica quando se tratava de servir aos homens. Mas infelizmente o fazia à custa da verdade pura da Fé. Como diz o Athanasius sobre João Paulo II, eu rezarei por Madre Teresa, mas não para ela.

Também devemos perguntar, quantas conversões ela realizou na Índia? É dito que São Vicente Férrer converteu cerca de 50 mil muçulmanos. Escutamos tantas histórias dos atos de compaixão e amor de Madre Teresa e como pessoas foram mudadas por ela; [mas] quantas conversões registram as Irmãs da Caridade? Nunca escutei nenhum registro sobre isso. Meu palpite é de que não haja muitas. Por que haveria? Afinal, Madre Teresa mesma disse, “é importante que todos sejam vistos como iguais perante Deus. Eu sempre disse que devemos ajudar um hindu tornar-se um melhor hindu, um muçulmano, um melhor muçulmano”.

Madre Teresa é um maravilhoso modelo de serviço aos mais pobres entre os pobres. Mas rejeitemos todas as formas de sincretismo e lembremos as palavras da Sagrada Escritura: “Porque os deuses dos pagãos não passam de demônios, mas foi o Senhor quem criou os céus”. (Salmo 95,5).

***

Tradução: José Napoleão Godoy.

 

Notas do tradutor

[1] Blog católico tradicional Athanasius Contra Mundum (https://athanasiuscm.org/)

[2] Nota do tradutor: é necessário analisar o caso mais a fundo; no entanto, é bem possível que a paciente em questão tivesse uma tuberculose peritoneal que mimetizava um câncer de ovário. Há um relato semelhante na literatura médica, em um artigo pago, a seguir: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11811862. O tratamento, note-se, foi feito como o da paciente do caso de Madre Teresa – com o uso de quatro fármacos antituberculose.

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