RESPOSTA AO COMENTÁRIO SOBRE O PRIMADO

Abrimos com esse texto uma nova seção do site cujo escopo é responder alguns comentários (aqueles que parecem que isto aqui é um lugar de debate e não um site de textos doutrinais). Respondemos aqui o comentário de Helbert no texto O Primado do Supremo Pontífice.

***

“Vejamos o que os Evangelhos dizem sobre a primazia de Pedro”
Antes de mais nada é preciso afirmar que nenhuma das passagens citadas é uma refutação ao Primado de São Pedro tal como o entende a Igreja Católica; são seus comentários e interpretações que causam essa impressão. As passagens da Escritura que tratam do Primado foram referenciadas no texto e completamente ignoradas no seu comentário.

No geral, seu texto é o mais claro exemplo das doutrinas do livre exame e da livre interpretação ensinadas pelos hereges protestantes. A liberdade é tanta que se tiram conclusões que não condizem com os textos citados.

“Evangelho de Mateus (…) Mateus 18:1-4”
Não é claro como esse texto pode ser uma refutação do Primado. Como você mesmo admite ele se trata unicamente de uma exortação à prática da humildade.

“Jesus exorta os Seus discípulos a buscar a simplicidade e a humildade que existe na criança e os adverte sobre as ambições mundanas de superioridade”
Em momento algum Ele nega o Primado de São Pedro ou a autoridade dos demais Apóstolos; Cristo quis apenas ensinar que quanto maior o encargo maior deve ser a humildade em exercê-lo; que Apóstolos não devem entender sua autoridade como os governantes mundanos entendem as deles.

“Em verdade vos digo (…) Mateus 18:18,19 Jesus Cristo aqui concede a autoridade de ligar e desligar tando na terra como no céu a todos os seus discípulos e não a um especificamente”
É verdade que nessa passagem Cristo confirma o poder que os Apóstolos em conjunto possuem sobre a Igreja mas, ao contrário da interpretação cismática, eles não recebem individualmente a mesma autoridade. E o cismático acha absurdo afirmar que Cristo delegaria um poder especial a um único Apóstolo é porque esquecem (maliciosamente?) de ler Mt 16,19:

Eu (Cristo) te darei (a S. Pedro) as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

Os dois textos têm que ser lido em conjunto, ficando claro que a S. Pedro foi dada uma autoridade singular e exclusiva (representada pelas chaves) que nenhum outro Apóstolo recebeu.

Como explica Hadydock:

O poder de ligar e desligar, conferido a S. Pedro, superou o concedido aos outros Apóstolos, na medida em que a S. Pedro, que era chefe e pastor de toda a Igreja, foi concedida jurisdição sobre os outros Apóstolos, enquanto estes não receberam nenhum poder uns sobre os outros, tampouco sobre S. Pedro.

As passagens da Escritura que atestam o poder de S.Pedro sobre os Apóstolos já foram referenciadas no texto sobre o Primado.

“E Jesus disse-lhes (…) Mateus 19:27,28 Aqui Jesus diz que todos os apóstolos tem lugares iguais em sua glória pois todos estarão ao seu lado e tem a mesma autoridade para julgar as tribos de Israel. Ele não faz referência a um determinado apóstolo em detrimento dos demais. Pedro aqui atua como um porta-voz de todos pois se dirige a Jesus em nome dos demais”
A distinção de S. Pedro em relação aos demais Apóstolos já foi explicada no parágrafo anterior. Quanto à questão dos tronos, será detalhada abaixo (resposta ao comentário sobre Mc 10,35-45).

“Vós, porém (…) Mateus 23:8-12. Aqui Jesus adverte os seus discípulos das ambições mundanas de status e superioridade. Ele os adverte e diz que eles devem se tratar como irmãos, ou seja, são todos iguais. Bem diferente do papa que tem inúmeros títulos pomposos”
O entendimento de que os irmãos são iguais em dignidade/autoridade é tão falso quanto a doutrina da livre interpretação. A história sagrada está cheia de relatos de irmãos que não são iguais, nem em dignidade, nem em amor paterno. Isaac e Ismael; Jacó e Esaú; José do Egito e os outros seus irmãos; o rei Davi e os seus irmãos; os filhos de Arão etc.

Quanto aos títulos do Papa, eles são apenas formas diferentes de expressar a grandeza de sua dignidade e os diversos aspectos do Primado; e nisso não há pompa nenhuma, pois não há soberba na verdade.

“Concede-nos que na tua glória nos assentemos (…) Marcos 10:35-45 Interessantíssima esta passagem de Marcos. Aqui os irmãos Tiago e João querem os melhores lugares ao lado do mestre. E esse pedido deixa indignados os demais. E Jesus os adverte sobre as ambições de mando e senhorio mundanos. Como então Jesus poderia ter dito que Pedro tinha uma supremacia sore os demais?”
Já foi mostrado no item anterior que São Pedro tem a supremacia sobre os demais Apóstolos e que a humildade não é contrária ao Primado, mas, ao contrário, supõe-no.

Mesmo assim, parece existir uma incompreensão acerca do versículo 40 em que Cristo diz:

Mas quanto a assentardes à Minha direita ou à Minha esquerda, isso não depende de Mim: o lugar compete àqueles a quem está destinado.

Ou seja, se lermos essa passagem em conjunto — princípio básico da hermenêutica — com Mt 19,18 podemos concluir que os Apóstolos não possuem a mesma dignidade. Ainda que todos se sentem em tronos para julgar as doze tribos, S. Tiago e S. João não poderão ocupar os lugares mais proeminentes porque esses estão reservados aos maiores entre eles. E o fato de terem dois tronos reservados não significa que seus ocupantes possuem a mesma dignidade/autoridade, ao contrário, porque já citou-se antes que só S. Pedro recebeu as chaves e o poder de confirmar a Fé dos irmãos.

Quanto à outra parte do texto, ela é, na verdade, mais uma exortação à prática da humildade, que não nega nem o Primado petrino nem a autoridade dos demais Apóstolos, mas diz que, por serem os líderes, devem ser os mais humildes e verem a si mesmos como servos dos demais fieis.

Evangelho de Lucas:
Começou uma discussão entre os discípulos, acerca de qual deles seria o maior.
Aqui é revelada total falta de conhecimento e desatenção na leitura da Escritura porque é óbvio que os Apóstolos só entenderam totalmente os ensinamentos de Cristo depois do Pentecostes. O maior exemplo disso é que, mesmo tendo ouvido várias vezes o anuncio da Crucificação e morte do Senhor, eles fugiram no jardim das Oliveiras e não acreditaram na Ressurreição até que Nosso Senhor mesmo aparecesse para eles. Isso porque sua inteligencia não estava ainda iluminada pela plenitude dos dons do Espírito Santo — como a do opositor parece não estar — que só foi concedida em Pentecostes:

Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito (Jo 14,16).

Evangelho de João: Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco (…) Aqui Jesus concede a todos os apóstolos o poder de perdoar os pecados e a mesma autoridade. Não há distinção entre eles e isso Jesus sempre tentou evitar. Como então o papa se arroga uma supremacia e pior às custas de Pedro.
Nesse comentário mais do que em todos os outros anteriores, fica patente a profunda ignorância sobre os pontos mais básicos da doutrina católica. Todos os Apóstolos receberem o poder de perdoar os pecados em virtude Sacramento da Ordem, que todos receberam igualmente na Última Ceia; isso em nada contraria o Primado. Todos receberam o poder e autoridade para ensinar o Evangelho a toda criatura porquanto também isso é próprio do Sacramento da Ordem (para ser mais preciso do Episcopado, o grau máximo da Ordem); isso em nada contraria o Primado. Já está ficando repetitivo, mas nunca é demais mais lembrar que só São Pedro recebeu o poder de confirmar a Fé dos irmãos, isso significa que os ensinamentos dos outros Apóstolos precisam estar em concordância com os ensinamentos de S. Pedro.

Parece que o opositor não sabe o que é o Primado, nem que o é Sacramento da Penitência, nem o que é o Sacramento da Ordem. Neste site existe uma seção sobre os Sacramentos e eu acredito que os textos lá contidos podem ajudar a diminuir sua ignorância sobre esses pontos; eu recomendo a leitura.

Pedro jamais foi visto pelos outros sob os traços de um sumo pontífice dotado, por vontade divina, dos poderes inerentes à uma soberania absoluta.
Como essa afirmação foi feita sem uma única citação da Escritura ou de um livro de história eu posso afirmar que você está errado sem fazer nenhuma citação.

É claro e notável que Pedro sempre atuou muito unido ao colégio apostólico no que se refere a pastorear espiritualmente e a exercer o ministério da palavra juntamente com os demais.
São Pedro agir unido aos Apóstolos não é uma oposição ao Primado. Ao longo da história os papas sempre atuaram unidos aos bispos, os sucessores do Colégio Apostólico, mas isso não significa que ele não detivesse a palavra final.

É anacrônico e falacioso dizer que Pedro teria exercido na igreja apostólica uma autoridade exatamente igual a que teria os sumos pontífices de Roma. Sempre atuava com os apóstolos e não sobre eles. A sua liderança era tal como a de Tiago e João: E conhecendo Tiago, Cefas e João (…) Gálatas 2:9. Aqui Paulo e recebido e reconhecido em seu apostolado junto aos incircuncisos pelas três colunas. Se Pedro fosse uma chefe supremo teríamos apenas uma coluna e Pedro deveria ter sido a quem somente Paulo teria recebido o apostolado dos incircuncisos. Podemos observar também com isso que não só Pedro mas também Tiago e João tinham o apostolado junto aos circuncisos.
A reposta a essa sua interpretação tosca já foi dada no meu comentário ao Evangelho de São Mateus (18,18-19).

E como o próprio Pedro se apresentava diante da igreja? Vejamos a sua epístola: Aos presbíteros, que estão entre vós (…) 1 Pedro 5:1-6 Ora, Pedro se iguala aos demais presbíteros (anciãos) e não sobre eles. Não só a Pedro foi dado o ministério de apascentar as ovelhas de Cristo mas também a todos os presbíteros. Pedro adverte também que não confundam o ministério a eles concedido de pastorear o rebanho como um tipo de superioridade ou chefia como tem os príncipes da terra. O que Jesus Cristo sempre advertiu a eles quando esteve com eles. Então qualquer alegação de supremacia de Pedro é apenas teologia falaciosa e tendenciosa dos romanistas.
Minhas respostas anteriores refutam sua interpretação torpe sobre essa passagem ser uma condenação do Primado. Por favor, leia o texto sobre o Sacramento da Ordem; lá fica claro que sacramentalmente S. Pedro é um Bispo (ou presbítero, que aqui é usado para designar os bispos) igual aos demais Apóstolos e a todos os bispos que existiram e existirão na Igreja até o fim dos tempos.

Mais uma vez é preciso reafirmar que admoestar os líderes da Igreja a fugir da soberba, ganancia e orgulho que dominam os príncipes da terra não é o mesmo que negar a existência e o poder da hierarquia sagrada. Pelo contrário, é necessário que existam líderes para que S. Pedro admoeste.

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